domingo, 5 de dezembro de 2010

Syn





Synyster Gates, 'Syn', guitarrista solo do Avenged Sevenfold.
Esse é o CARA.
O resto é tudo PELEGO.
E tenho dito.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Meio bonita

'Você sabe de quem eu estou falando. Ela chega, cumprimenta, tem um jeito engraçado de cruzar as pernas, usa aqueles sapatos. Quando tira os óculos você observa um tanto mais e tem a impressão de que a conhece de algum outro lugar, uma amiga de infância talvez, ou quem sabe a mocinha do filme antigo, aquela... Você não grava os nomes.
Se reparar bem, verá que os olhos são bonitos, de um formato que você nunca viu igual em outros rostos. Talvez não combinem com o nariz, que não é feio, porém foge um pouco do contexto proposto pelos olhos, e digamos que a boca, que não é feia, tornou-se apenas sem graça perto de um par de olhos muito bonitos e um nariz despropositado.
Em casos leves, você pensaria ‘ela é quase bonita’. Em casos com certa gravidade, você diria ‘ela tem um tipo bastante especial’. Se fosse feia, você não estaria aí pensando nela ou observando seu modo de cruzar as pernas. Ela é bonita, mas tem aquele jeito de rir, meio polêmico, e aquela maneira de andar, rápido demais, e quem sabe se não tivesse essa mania de esconder os próprios olhos atrás de tão estranhos óculos.
Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Pensa que eu não sei? Acordou todos esses dias, sentiu-se solitário, frágil. Tropeçou diversas vezes em objetos variados, esqueceu alguma coisa muito importante e sentiu falta de alguém pra esquentar suas mãos. As garotas que você conhece são amigas demais ou pretendentes demais e você quer alguém distante, que te olhe de uma forma bem particular, te deixe confortável, contente, triste. De preferência alguém a quem você ainda não ame para poder falar abertamente sobre sua teoria de amor latente, amor que já habita algum determinado espaço e apenas não foi direcionado a algum alvo específico. Amor que já existe e você não encontra alguém com quem dividir.
Poderia ser essa menina, se ela não roesse as unhas. Se ela não tingisse o cabelo dessa cor. Se você tivesse coragem. E se não te assustasse tanto o fato de que ela se parece demais com o seu mundo, meio bonito. Meio antiquado. Meia estação.'

Zine Vanilli

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O ponto final

Como se coloca um ponto final nas pessoas que passam pelas nossas vidas? Não há fórmulas. Essa é um das respostas que todo ser humano na face da terra, gostaria de saber.
Existem somente meios. E cada um deve procurar o sua forma de lidar com a 'perda'. A questão é: nós realmente perdemos, ou são os ciclos da vida que mudam ou que nos mudam? Perda, eu considero das pessoas que já se foram e que eu não posso mais ver. Isso sim, eu considero uma perda. Mas as pessoas que simplesmente decidimos 'perder' em vida, ou nos 'perdem' em vida, isso eu chamo de ciclo.
Um dia você percebe que 'fulano' não se encaixa mais na sua vida. E mesmo assim, você insiste em 'amar' essa pessoa. Mas por que? Porque a vaidade e ego falam mais alto. Porque orgulho fala mais alto e até mesmo a raiva muitas vezes. E isso nada tem a ver com amor. E quando novas chances surgem, você se esforça 'arduamente' em gostar de outra pessoa que surge, mas ainda tão centrado no 'amor' antigo, que custa a entender que a atual pessoa pode te completar mil vezes mais. Se você realmente permitir que isso aconteça.
E quando não acontece, você perde. Você perde algo novinho em folha, pra cultivar os fantasmas empoeirados escondidos na mente e no coração. Cuidado: a paciência é algo que o ser humano ainda não é capaz de cultivar em toda a sua totalidade. E seu amor 'novinho' em folha, pode não ter tanta paciência assim.
Amar pela metade não existe. Odiar pela metade não existe. Ou é, ou não é. Mas ficar enraizado em uma questão que já acabou é perda de tempo. E principalmente, perda de vida.
Uma página em branco ali ó, novinha em folha pode ser escrita de forma mais alegre, mais sincera, mais lúcida. Virar a página, seguir em frente, dar uma chance, escrever um novo livro. Uma nova história.
Se você continuar apegado as situações do passado, as páginas amareladas da sua vida, é só isso que terá. E todo o resto ficará estagnado como água escura em um poço. Amores antigos são saudáveis, quando mesmo que, os que terminaram em dor, podem ser lembrados com carinho, porque passaram e hoje consegue-se ver a lição que deixaram. Mas são amores antigos, e não vícios. Amores antigos, que se tornam vícios, começam a criar limo, mofo dentro de nós mesmos. O que não permite dar entrada a mais ninguém.
E ás vezes um amor novinho em folha surge a nossa porta, e não percebemos de imediato. Geralmente só o percebemos quando ele vai embora. E quando sentimos a perda dói, porque percebemos que o novo poderia valer realmente a pena, enquanto o antigo se tornou um vício. E vícios são superados com o tempo. Se você realmente quiser.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

The little things give you away

'Don't want to reach for me, do you?
I mean nothing to you, the little things give you away




But now there will be no mistaking
The levees is breaking

All you've ever wanted
Was someone to truly look up to you
And six feet under water, I do

All you've ever wanted
Was someone to truly look up to you
And six feet underground now

Now I do...

Oh, oh...

The little things give you away.'


'Não vai estender a mão para mim, vai?
Eu não significo nada pra você, os pequenos detalhes lhe entregam
E agora não haverá nenhum erro
As barreiras estão se quebrando

Tudo o que você sempre quis
Era alguém que olhasse verdadeiramente para você
E mesmo a seis palmos sob a água, eu o faço

Tudo o que você sempre quis
Era alguém que olhasse verdadeiramente para você
E mesmo a seis palmos sob o chão agora

Eu o faço

oh, oh..

Os pequenos detalhes lhe entregam.'

( The little things give away - Linkin Park )

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A gente salva no blog

Eu sou a prosopopéia metafórica de um irônico paradoxo eufêmico.


"Dizem que tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficamos quietos, o que buscamos nos
encontrará. É algo que leva muito tempo esperando por nós. Enquanto não chegue, nada faças.
Descansa. Já tu verás o que acontece enquanto isto."

Clarissa Pinkola



"Sou o resultado desses amigos que tenho e do que recebo diariamente de afago, cuidado e demonstrações de afeto.
É disso que sou feita: de um bocado de tanto amor.
Sou resultado desses encontros, dessa magia que é meu cotidiano.
Gente que presta atenção naquilo que não conhece porque abraça a novidade com a sabedoria de quem nunca vai querer parar de aprender: da teoria intelectual mais complexa à maneira mais criativa de improvisar um cinzeiro.
Eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas.
E que, por conviver mais profundamente com as angústias, são os primeiros a experimentar o êxtase de um dia de sol ou de chuva, de qualquer coisa aparentemente simples.
Gente que sabe que viver com simplicidade é a coisa mais complexa que existe... e a mais sábia."

Marla de Queiroz

sábado, 21 de agosto de 2010

Uma questão de tempo

'Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.'

Eclesiastes 3:2-8


* E do tempo que eu preciso, só eu sei.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Pratique o desapego


'Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível , um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.'

- Fernando Pessoa -

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Este é o ponto

This Is The Thing

I don't know if you noticed anything different
It's getting dark and it's getting cold and the nights are getting long
I don't know if you even noticed at all
That I'm long gone baby, I'm long gone

And the things that keep us apart keep me alive and
The things that keep me alive keep me alone

This is the thing

I don't know if you notice anything missing
Like the leaves on the trees or my clothes all over the floor
I don't know if you'll even notice at all
Coz I was real quiet when I closed the door

And the things that keep us apart keep me alive and
The things that keep me alive keep me alone

This is the thing

I don't know if you notice anything different
I don't know if you even notice at all
I don't know if you notice anything missing

This Is The Thing
This Is The Thing
This Is The Thing
This Is The Thing

Este é o ponto

Eu não sei se você notou algo de diferente
Está ficando escuro e está ficando frio e as noites estão ficando mais longas
Eu não sei se você reparou mesmo em tudo
Que eu estou muito longe baby, estou muito longe

E as coisas que nos afastam me mantem vivo e
As coisas que me mantêm vivo me mantem sozinho

Este é o ponto

Eu não sei se você percebeu alguma coisa faltando
Tal como as folhas das árvores ou minhas roupas por todo o chão
Eu não sei se você vai mesmo perceber tudo isso
Porque eu estava realmente quieto quando eu fechei a porta

E as coisas que nos afastam me mantem vivo e
As coisas que me mantêm vivo me mantem sozinho

Este é o ponto

Eu não sei se você percebeu alguma coisa diferente
Eu não sei se você percebeu tudo isso
Eu não sei se você percebeu alguma coisa faltando

Este é o ponto
Este é o ponto
Este é o ponto
Este é o ponto





(Tarde demais pra perceber que existe algo 'faltando'.)

domingo, 15 de agosto de 2010

Acendemos o fogo ao terceiro grau

Set The Fire To The Third Bar

I find the map and draw a straight line
Over rivers, farms, and state lines
The distance from here to where you'd be
It's only finger-lengths that I see
I touch the place where I'd find your face
My fingers in creases of distant dark places.

I hang my coat up in the first bar
There is no peace that I've found so far
The laughter penetrates my silence
As drunken men find flaws in science.
Their words mostly noises
Ghosts with just voices
Your words in my memory
Are like music to me.

I'm miles from where you are,
I lay down on the cold ground
I, I pray that something picks me up
And sets me down in your warm arms.

After I have travelled so far
We'd set the fire to the third bar
We'd share each other like an island
Until exhausted, close our eyelids
And dreaming, pick up from
The last place we left off
Your soft skin is weeping
A joy you can't keep in.
I'm miles from where you are,
I lay down on the cold ground
And I, I pray that something picks me up
and sets me down in your warm arms.

And miles from where you are,
I lay down on the cold ground
and I, I pray that something picks me up
and sets me down in your warm arms.

Acendemos o Fogo ao terceiro grau

Eu encontro o mapa e desenho uma linha reta
Sobre rios, fazendas e divisões de estados
A distância daqui para onde você estaria
É apenas a do comprimento de dedos que eu vejo
Eu toco o local onde eu encontraria o seu rosto
Meus dedos nos vincos de lugares distantes e escuros.

Eu penduro meu casaco na primeira barra
Não há paz que eu tenha encontrado até agora
A risada penetra o meu silêncio
Enquanto homens bêbados encontram falhas na ciência.

As suas palavras, na maioria barulhos
Fantasmas com apenas vozes
Suas palavras na minha memória
São como música para mim.

Eu estou a milhas de onde você está
Eu me deito no chão frio
Eu, eu rezo para que algo me levante
E me coloque nos seus braços calorosos.

Depois de eu ter viajado tão longe
Nós acendemos o fogo ao terceiro grau
Nós nos compartilhamos como uma ilha
Até que exaustos, fechemos nossos olhos
E sonhando, continuamos desde
O último lugar em que paramos.
A sua pele macia está derramando
Uma alegria que você não consegue manter dentro de si.

Eu estou a milhas de onde você está
Eu me deito no chão frio
Eu, eu rezo para que algo me levante
E me coloque nos seus braços calorosos.

Eu estou a milhas de onde você está
Eu me deito no chão frio
Eu, eu rezo para que algo me levante.
E me coloque nos seus braços calorosos.

(Snow Patrol)

sábado, 14 de agosto de 2010

Até ele voltar...

Até ele voltar...
Prometo me 'reapaixonar' por todos os momentos em que estivemos juntos.
Prometo reviver em minha mente todos os seus traços, sorrisos, gestos.
Prometo relembrar da sua voz, seu som malicioso, sua melodia.
Prometo fechar os olhos e permitir a lembrança do seu cheiro.
Prometo ter a lembrança do 'ano novo',
como a melhor lembrança de 'ano novo' para o resto da minha vida.
Prometo silenciar, e escutar só as batidas do meu coração,
que por ele, sempre foram as mais sinceras, quentes e intensas que eu poderia ter.
Prometo descobrir a cada dia um motivo diferente para acreditar que pode haver um reencontro,
e que esse valerá a pena.
Até ele voltar...
Prometo VIVER.
Prometo SONHAR.
Prometo cultivar a PACIÊNCIA.
Rir das situações que me causam felicidade,
cuidar do corpo, do espírito,
fazer planos, imaginar situações,
acreditar que Deus existe e que pode
me auxiliar nas escolhas.
Porque a minha escolha, antes mesmo dele voltar, é ele.
Será sempre ele.




'... And there are things that keep me alive, keep me alone. This is the thing.'
(This is the thing - Fink)




domingo, 8 de agosto de 2010

Agosto, mês do des-gosto

"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé."
Caio Fernando Abreu

Então que os meses frios, o inverno sempre foram responsáveis por coisas boas que me aconteceram. E outras... Nem tanto assim. O que me lembro de alguns julhos, agostos da minha vida eram minhas férias escolares e a possibilidade de ir pra casa da minha avó. Acreditem, esperava as férias de julho, mais que o próprio natal.
Depois quando vieram, não eram tão prazerosos assim. Sempre vinham com gosto de situações novas, eu apostava minhas fichas... E perdia.
Parei de sentir prazer nesses meses. Praticamente em tudo, mesmo gostando tanto do outono e inverno.
Eu estava silenciosa no meu canto. Extremamente silenciosa, obscuradamente silenciosa no meu canto. E lá que me vem depois de 95 dias notícias.
Não esperava mais. Depois de um tempo aprende-se a lidar com a ausência. Ela se torna ardentemente presente, e tão verdadeira que não se espera mais nada.
Longas desculpas, longos lamentos, longas palavras não ditas e ainda trancadas na garganta, que são engolidas todos os dias e ensaiadas em textos mentais praticamente todas as noites.
O bom disso tudo é o aprender a 'des-gostar'. A aprender a enfrentrar os meses de agosto da vida. E em tudo que ele sempre trás, porque já encaro praticamente como uma maldição.
Novamente não vem pra ficar. Tenho dúvidas se um dia ficará. E fico pensando se, ainda sou capaz de permitir que participe de mais um agosto.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Idade Balzaquiana

"E agora o que? Agora é que se aprende a viver. Que se aprender o que fazer, o que querer o que não querer. Aprende a dizer não e receber não. A saber, o que é em vão. O que vai te fazer feliz ou não. Aprende a conhecer o corpo, o bom gosto, a solução. Agora é a hora de ser de verdade um cidadão. Se despedir dos medos, do não. Se abrir pra solução. Independência, escolhas, renuncia. Agora sim sou eu sem medos imaturos no sentido mais literal da razão."

(Texto de uma comunidade do orkut)

Pois é. É isso mesmo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Coisas que a vida ...

Coisas que a vida... Dá. Meu deu sem saber. Mas só quero lá pra frente. Vamos trabalhar nos sonhos então.


15-09-2010
Inverno - frio

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Uma porta, uma janela, uma decisão

Hoje eu tive medo. Medo do novo que surgiu. Fiquei pensando em como e porque me desfazer de velhos sentimentos. Eles me são caros, mesmo me machucando tanto. Pensei: " Se der esse passo, vai ser bom, vai ser novo, mas vou chorar, sei que vou chorar, porque virar a página nem sempre é fácil mesmo que a vida tenha aberta um janela linda em um dia de sol."
A janela se abriu. Mas ainda me dói a porta que se fechou. E a dor é a única certeza que mantém a memória viva de que um dia ele existiu.
Ás vezes penso que, quando está por perto, tenho medo até mesmo de respirar. Tenho medo dos minutos que se tornam segundos e logo ele precisa embora.
Tento guardar qualquer sorriso, palavra e som na memória. Como se colocasse em um urna na parte mais alta da estante, e dia após dia me alimentar daquela alegria. Até mesmo o cheiro tento guardar.
Faz poucos dias que você se foi. E novamente, como em uma montanha-russa, a lembrança volta a rondar os dias e noites.
A questão é que é a última vez. Já foi decidido. Eu nunca quis fechar a porta. Eu realmente queria que a luz do sol, continuasse todos os dias, quando você me trazia ele. E depois vieram as tempestades, o frio, os dias de chuva. E eu esperei. Esperei por um milagre. Mas os milagres ás vezes vem de outras direções.
E um dia, depois de muito tempo com o cômodo totalmente trancado, uma das janelas se abriu. Timidamente, trazendo os raios do sol novamente, esquentando aos poucos, iluminando o cômodo. E eu deixei entrar. Mas tenho medo. Porque ainda olho a porta, esperando algum movimento mínimo que seja, algum sinal de vida, algum sinal de sol. Que nunca vem. E tenho medo de que um dia você volte, e abra a porta. Mas já não me encontre mais ali.

A boneca de carne e osso

Ok, vamos lá. A pior discussão é aquela com a pessoa que escuta e ainda se faz de surdo. Não há argumento, não há teoria que se faça entender. Uma vez cabeça-dura, sempre cabeça-dura.
A questão é: quando se entra em um jogo, até que ponto você esta disposto a arriscar todas as fichas?
Pois é. O problema é não saber que se está jogando, e descobrir tempo depois, tarde demais. Desde que o mundo é mundo, o universo feminino e masculino jamais irão se igualar. Se um dia isso acontecer, pode ter certeza que entramos em uma "nova era".
Mulheres que saem na balada passando o rodô e dizendo que "só querem curtir" não me convencem. Colega, sou do mesmo sexo que você, conte-me outra.
Saem sim, na busca, na espera de que o cara que beijou seja seu Príncipe encantado. E juro, não estou sendo machista. Homens deveriam vir com um botão de sensibilidade e perceber que mascaramos que pensamos como eles. Fantasiamos sim, sonhamos sim, ficamos ansiosas sim. Queremos agradar e queremos ser vistas da mesma forma como olhamos pra eles.
Quando uma mulher disser: "-Estou só por opção", entenda que ela está querendo dizer: "-Estou só agora, mas gostaria muito que você mudasse essa situação." Essas são as benditas "entrelinhas" que deixamos no meio do caminho.
Do nada fulano conhece beltrana. Fulano sai com beltrana. Rola química, rola desejo, rola vontade. E rola. E a partir dai tudo fica de certa forma indefinido. Fulano some por um tempo, cai na balada, cai no futebol, cai no trabalho, cai na casa de amigos e opa! conhece ciclana.
Deixa beltrana pra trás. "Ah não foi nada demais, foi só uma noite..." Ok, uma vez só, uma única noite. Mas beltrana reaparece, e pior: com outro ciclano. Fulano sente-se deixado pra trás, indignado, traído.
Mas alto lá... Não havia sido somente uma noite?
Isso não aconteceria se fulano não sumisse da vida de beltrana. Ou se fulano tentasse descobrir mais sobre beltrana. "Mas foi só sexo, no que isso implica?" No que implica? O que de mais íntimo pode haver do que o sexo? Ok, sexo é instinto, é tesão, é oportunidade e desejo. Tá, eu sei.
Sexo não implica em nada desde que você vá pra cama com uma boneca inflável. Ela não vai pensar no outro dia se agradou ou não, e nem se sentir o pior ser humano se o fulano não der notícias no dia seguinte.
Mulheres dramatizam por qualquer coisa. Ainda mais se você foi cama com uma "boneca de carne e osso" as coisas podem ( e vão ) ser diferentes.E isso está longe de ser insegura. As inseguras, essas sim, são aquelas que a cada esquina estão beijando um ( porque afinal de contas, uma hora vai agradar alguém) e se intitulam modernas.
Não há como não mexer com as estruturas, pelo menos do lado feminino, quando envolve sexo. Mexe sim. Então, mesmo que seja só por uma noite, tente descobrir como o outro funciona. Do que gosta, como é, o que lhe causa alegria, inspiração. Do que tem medo, que estilo de música prefere, se tem medo de filme de terror, se gosta da noite, se gosta do dia, se tem cicatrizes, o que gosta de fazer, quais os sonhos, o nome do melhor amigo. Não julgue, não precipite. Mesmo que vire em nada, mesmo que seja um caso, ou que vire um namoro. Se for pra ir pra cama com alguém que seja na sua totalidade. Não leve pra cama só o tesão na hora. Não é porque você vai conhecer a pessoa a fundo que ela precisa ser pra toda vida. Ás vezes nem mesmo é. Mas mostre que você está ali sabendo com quem está. Conheça.
Um email, uma mensagem, um telefonema não ofende ninguém. Demonstrar interesse também não. Afinal de contas, sexo é intimidade não é?
E por favor, se o sexo é bom, controle o membro fálico dentro das calças. Nem sempre quantidade é sinônimo de qualidade. Lembre-se que todo ser humano é ÚNICO. Ninguém é igual a ninguém. Cada forma de pensar, de sentir, de ver o mundo é único.
Não se sabe o dia de amanhã. Você ter objetivos, projetos, idealizações é uma coisa. Programar a vida é totalmente diferente. Ela não é programável. A vida acontece.
Ninguém sabe quem do nada vai invadir sua rota. Ás vezes caminhar lado a lado, e outras vezes entrar em colisão.
Pedro Bial já dizia: " ... não seja leviano com o coração dos outros... não ature gente de coração leviano."
Não julgue beltrana se você foi deixado de lado pelo ciclano. Afinal de contas, você abriu caminho pra isso, não adianta reclamar, e nem tem porque, afinal de contas " foi só uma noite".
Aprenda enquanto é tempo usar da sua potencialidade, da sua totalidade. Não quer envolvimento, não quer arriscar? Compre uma boneca inflável.
Para que realmente valha a pena, recuse-se a "usufruir" de um corpo, sem antes saber qual o tipo de coração que bate dentro dele. Garanto, será bem melhor.




domingo, 11 de julho de 2010

O corpo

"Para o coração pulsar descontroladamente, precisa mais do que lençóis." - GM -

Fiquei pensando nisso por horas ontem. Momento filosófico-melancôlico-arrependido. Pior do que não se importar com a opinião alheia, é não saber a opinião que terão sobre você depois de "uma-atitude-sem-pensar-que-valeu-muito-a-pena". E pasme, eu me preocupei.
Eu sempre tive uma tendência astrológica, já que sou aquariana, de ser rebelde e não me chocar com coisas que faço ou que os outros fazem. (Difere quando se trata de injustiça, tá?)
Eu já fiz coisa que até Deus duvida, já vi coisas que até Deus duvida, e não me arrependo de nada até hoje. Mas tudo muda quando você anda numa fase meia "cristal-quebrado", tentando não quebrar mais o que resta de você, porque afinal de contas, é ser humano e cansa.
Cansa de criar expectativas, cansa de esperar alguma coisa boa e concreta que parta de outro ser humano em relação a você.
Cansa dessa modinha desse século perdido onde as pessoas mudam seus valores como as estações do ano.
Cansa de não fazer coisas que nunca fez e se sente um rato por não tentar. Então eu fiz. E fiquei com um nó na cabeça pior que de marinheiro.
Ou talvez ando assim pelos amores atrasados que andam aparecendo. Odeio fantasmas. Águas passadas. E garanto, quando digo águas passadas, são passadas mesmo.
Pensando nessa situação quase absurda de quebra das minhas teorias e ética pessoal "inquebrável" de atitudes impensadas, me vem a mente um trecho de Caio Fernando Abreu:

"Eu não procurei, não insisti. Contive tudo dentro de mim até que houvesse um movimento qualquer de aceitação. Quando houve, cedi. A sua cabeça pesava no meu braço. Ele estava bêbado? Estava cansado? Eu era apenas um braço onde ele debruçava a sua exaustão? Ele se indagava se eu o recebia como receberia qualquer cansaço humano ou sabia que eu estava tenso, na espreita, dilacerado? (...)

Aquele contato era premeditado ou ocasional?
As indagações pesavam sem resposta, e numa lucidez desesperada eu num repente assimilava todos os detalhes, dissecava o que acontecia em torno como se tivesse mil olhos, envelhecia como a noite lá fora, virando madrugada, a luz fraca -eu tudo compreendia, tudo sabia. (...)
Não. Recusa mesmo essa espécie de alívio. Não quer a cor. Prefere o dilaceramento cada vez mais intenso, mais insolucionado. Precisa sofrer e morrer muitas vezes por dia para sentir-se vivo. Chegara à constatação de que era só, Único, e que devia bastar-se a si mesmo, e justamente por isso precisava de uma outra pessoa. Os grãos de areia nunca se tocam. Mesmo quando juntos há entre eles uma espécie de carapaça que não os deixa tocarem se. Jamais um núcleo toca outro núcleo.(...) Um certo prazer em saber-se assim solto, assim perdido entre as coisas, assim contendo um mal-estar que ninguém saberia de quê. (...)
Você sabe que vai ser sempre assim. Que essa queda não é a última. Que muitas vezes você vai cair e hesitar no levantar-se, até uma próxima queda. Prefere jogar-se numa atitude que seria teatral, não fosse verdadeira, sentir os espinhos rasgando carne, as pedras entrando no corpo, o rosto espatifado contra o fim desconhecido. Precisa ir até o fundo. (...)
Eu tremia? Não. Sentia minhas próprias unhas furando as palmas das mãos, mas meu corpo estava seguro, em riste. O primeiro toque foi dele. As mãos comprimiram minhas pernas. Depois, uma das mãos libertou-se avançando em forma de ternura. Nos seus cabelos, as minhas mãos iam e vinham, adivinhando a tessitura. Era noite, ainda. O ritual já fora cumprido. (...)
E de repente nos ferimos. Com a boca. Senti seus lábios nos meus, os dentes se chocando, as mãos que seguravam meu rosto, investigavam meus traços, eu nascia por dentro, quase gritava, tentávamos desvendar um ao outro, mas não íamos além da tentativa, que já se fazia angústia em suas mãos como espinhos, subindo por meu corpo inteiro, busca tensa. Não, não era amor, não foi amor. Tudo explodia num plano muito mais alto, muito mais intenso. Nos desvendávamos com a fúria dos que antecipadamente sabem que não vão conseguir jamais.
Alguma coisa morria em mim naquela procura de meta inatingível, desconhecida -e num tempo mesmo algo nascia de repente, puxado não sei de que desvão, de que sombra oculta, de que arca fechada, coberta de poeira, abriam-se portas em mim, janelas quebravam, estilhaços saltavam, pedaços de vidro me cortavam sem piedade, já não via a noite, o dia, o tempo, o espaço onde estávamos, vagávamos no cosmos ou estávamos presos numa esfera conhecida? eu não sabia, eu morria, eu nascia sucessivamente, em desespero, eu compreendia súbito. Não, não era amor. Era terror. (...)
Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido -e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero. Que espécie de coisa o cigarro queimou, além dos cabelos? Sei que foi mais fundo, mais dentro, que nessa ignorada dimensão rompeu alguma coisa que estava em marcha. Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto."

Não existem amores imediatos, relâmpagos. E eu tenho medo, porque o beijo era bom.

sábado, 10 de julho de 2010

Relacionamentos

"Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:- 'Ah,terminei o namoro...'- 'Nossa,quanto tempo?'- 'Cinco anos...Mas não deu certo...acabou'-É não deu... Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar,seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer...A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar.Ou se apaixonar. Ou se culpar.Enfim...quem disse que ser adulto é fácil? "

-Arnaldo Jabor-

Arcano 13 - A morte

" Esse arcano, também chamado de O Ceifador, representa o rompimento definitivo com o passado para que nasça uma nova vida repleta de novidades. Também sugere verdades, transformações, rompimentos de valores e/ou ilusões, fim de ciclo e indica prosperidade futura. Para um melhor entendimento da potencialidade da Morte, pesquise as seguintes palavras: mudança, transformação, raiva, ceticismo, melancolia."



Que assim seja, eu quero. Amém.

Efêmero

" Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora todas as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes. Muitas flores são colhidas cedo demais. Algumas, mesmo ainda em botão. Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranquilas, vividas se entregam ao vento. Mas a gente não sabe adivinhar. A gente não sabe por quanto tempo estará enfeitando o Éden e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao nosso redor. E descuidamos. Cuidamos pouco. De nós, dos outros.
Nos entristecemos por coisas pequenas e perdemos minutos, horas preciosas. Perdemos dias, ás vezes anos. Nos calamos quando deveriámos calar, falamos demais quando deveriámos ficar em silêncio. Não damos "abraços" que tanto nossa alma pede porque algo em nós impede essa aproximação.
Não damos um beijo carinhoso, porque não estamos acostumados com isso e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos.
E passa a noite e chega o dia, o sol nasce e adormece e continuamos os mesmos, fechados em nós. Reclamamos do que não temos, ou achamos que não temos o suficiente. Cobramos dos outros. Da vida. De nós mesmos.
Nos consumimos. Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais que a gente. E se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos? Isso faria uma grande diferença.
E o tempo passa... Passamos pela vida, não vivemos. Sobrevivemos, porque não sabemos fazer outra coisa.
Até que inesperadamente, acordamos e olhamos para trás. E então nos perguntamos: - E agora?
Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço ao amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos.
Nunca se sabe, nunca se é velho demais ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.
Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos. Olhe para frente! Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer pela vida, que mesma efêmera, ainda está em nós."
- autor desconhecido-

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O controle da ilusão

Já dizia o sábio Caio Fernando Abreu:


"Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!”

Depois de passado um certo tempo lidando com as cicatrizes que ficaram, sonhos esquecidos nas gavetas, noites de sonos perdidas e lágrimas de puro desespero, a duras penas aprende-se a viver o inesperado e a não tentar controlar todas as situações. Talvez um coração endurecido demais, não se abre as novas possibilidades porque desconfia que pode se machucar de novo. Caracteristica de bicho quando fica acuado.
Pois bem. A vida é um dia de cada vez e nem todos os planos darão certo. A vida é um dia de cada vez e sem querer parecer pessimista, nem tudo que queremos, podemos ter. Talvez quando temos já não queremos mais pois mudamos de direção. Isso fazia parte dos sonhos guardados nas gavetas, lembra? Só vale a pena lutar arduamente por algo que nos faça crescer, que trará algum benefício próprio, como estudo, carreira, ou uma viagem espiritual a Índia, Tibet, Himalaia.
Não vale a pena lutar arduamente quando trata-se de pessoas. Porque o ser humano é mutável, aprende algo novo a cada dia, escolhe caminhos, toma decisões.
E esses caminhos e decisões nem sempre está incluido outra pessoa na rota. Aprender que o mundo dá voltas, ajuda e muito a cultivar a paciência ( que segundo a astrologia, para qualquer aquariana como eu, imediatista, que querem tudo pra ontem, é praticamente impossível.)
Aprender a viver mais e se iludir menos é uma arte. Aprender a não colocar suas idealizações em outra pessoa, é praticamente um milagre.
Mas acredite, a vida ensina. E muito bem. Ela dá a lição quantas vezes forem necessárias, repetindo a lição até que entre na cabeça. E no coração.
Aprender a controlar a ilusão, também ensina a respeitar o outro. Seja o outro um ser amado no momento, seja o outro um ser odiado no momento.
Para o amado, só resta torcer pra que o tempo ajude, e o caminhos se cruzem. Para o odiado, só resta esperar pacientemente as voltas que o mundo dá.
Não espere de outra pessoa, o que você também não seria capaz de fazer. Não ache que você deve ser amado mais, receber mais, se não está disposto a fazer o mesmo.
Controle a ilusão das situações. Não veja mais além do que está acontecendo no momento, não coloque os olhos do coração no caminho.
Aprenda a ler os sinais, as entrelinhas. Não acredite nas palavras. Observe as atitudes do outro para com você. O que se fala cai no vento, cai no esquecimento, mas as atitudes carregam a verdade.


Algumas pessoas merecem isso:

"Eu preciso muito muito de você, eu quero muito muito você aqui de vez em quando, nem que seja muito de vez em quando. Você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor, você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone, basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio, juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você." -Caio Fernando Abreu-


E outras isso:

“Você me provoca, você me perturba. Joga água e sai correndo. Atira a pedra e me acerta de raspão. Me espia no escuro e mostra a língua. Me xinga. Me atiça. Invade o meu sossego. Meu refúgio. Pisa no meu ninho com os sapatos sujos. Na minha toca. Sem saber o meu tamanho, até onde vai meu bote, você me provoca achando que não há perigo. Sem conhecer a força da minha mordida, o tamanho dos caninos. Você me provoca sem esperar a picada. Sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno…” -Caio Fernando Abreu-


E eu deveria ler isso todo santo dia, para lembrar como sou:

"Te­nho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída." - Clarice Lispector -


segunda-feira, 14 de junho de 2010

Broken

Quando penso que algo podia ser diferente recaio na idéia de que não havia salvação. Somente a danação. Nada podia ser diferente. Não fomos nada um para o outro. A não ser um erro. Um grande, enorme, gigantesco erro. E só isso.

Textos e clichês

Alguns textos batidos da net parece que são copiados e colocados em perfis, muitos na intenção de "cutucar" alguém. E geralmente é mesmo... Mas esse achei interessante:

"Não perca seu tempo comigo, porque não quero entrar no seu carro se eu não puder entrar na sua vida. Não me conte seu passado se eu não puder viver seu presente. Não faça planos comigo se não puder me incluir no seu futuro. Não me apresente seus amigos se, amanhã, vou virar só mais uma. Me poupe do trabalho de adivinhar seus pensamentos. Diga que me quer apenas quando for verdade. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas, quando estiver comigo, seja TODO você. Corpo e alma. Por favor, não me apareça pela metade."

(Autor desconhecido )

Foz, nada de interessante, 14 de junho de 2010 que se Deus quiser vai acabar logo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

M O R T E E C H O C O L A T E

M O R T E E C H O C O L A T E

Primeiro, as cores.
Depois, os humanos.
Em geral, é assim que vejo as coisas.
Ou, pelo menos, é o que tento.

E I S U M P E Q U E N O F A T O

Você vai morrer.

Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem os meus protestos.
Por favor, confie em mim.
Decididamente eu sei ser animada, sei ser amável.
Sei ser agradável.
Afável.
E esses são apenas os As.
Só não me peça para ser simpática.
Simpatia não tem nada a ver comigo.


R E A Ç Ã O A O F A T O S U P R A C I T A D O

Isso preocupa você?
Insisto - não tenha medo.
Sou tudo, menos injusta.

- É claro, uma apresentação.
Um começo.
Onde estão meus bons modos?
Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário.
Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis.
Basta dizer que, em algum ponto eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível.
Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro.
E levarei você embora gentilmente. (...)

O único som que ouvirei depois disso será minha própria respiração, além do som do cheiro dos meus passos.

U M A N Ú N C I O T R A N Q U I L I Z A D O R

Por favor, mantenha a calma, apesar da ameaça anterior.

Sou só garganta...
Não sou violenta.
Não sou maldosa.
Sou um resultado.

(...) Se quiser, venha comigo. Vou lhe contar uma história. Vou lhe mostrar uma coisa.

( A menina que roubava livros )

domingo, 9 de maio de 2010

A morte não é nada

As pessoas reclamam de tantas coisas, uns julgam a vida injusta, outros acham a vida maravilhosa, outros vivem amargurados, outros reclamam o tempo todo. Mas a verdade disso tudo é que a vida é frágil. E efêmera. E passa rápido. E que criamos problemas onde não existem. Independente de crenças, Deus ou qualquer coisa do gênero, o fato real é que por mais que você esteja preparada espiritualmente, perder alguém próximo é sempre difícil. Hoje, 9 de maio de 2010 é dia das mães. E penso no coração de uma mãe que perdeu seu filho essa madrugada. De forma, não acho outro adjetivo melhor do que a palavra "besta".
Menino de 22 anos. Thiago Alves da Cruz. Cheio de vida. Como tantos outros de sua idade. Vicíos? Nenhum. Na madrugada passada, voltando para casa, cai de moto. Ambos. O amigo fica todo ralado e é socorrido pelo Siate. Thiago, machuca só o queixo. Pronto, só um susto. O amigo, encaminhado para o hospital, Thiago pergunta ao enfermeiro pra qual hospital será levado o amigo e fala que vai seguir a ambulância com a moto. Ok. Acaba indo parar em outro hospital. Errado. Hospital errado. Seguindo pela Avenida Paraná, perde a direção da moto por causa de um buraco. Capacete escapa da cabeça. Thiago bate a cabeça no meio fio. Agoniza. E morre. Pronto. Não era mais um susto. Era real. Recebi a notícia no meio do almoço do dia das mães. Sensação estranha. Na hora vem a famosa frase, um dito popular: pra morrer basta estar vivo. Tristeza para quem fica. E sofre. Sofre a ausência. A falta da presença física, da voz, do riso, do cheiro. De um filho. Independente dos amigos, penso nessas horas na mãe. Na ordem das coisas, um filho jamais deveria partir antes de um dos pais.
Todos os dias Deus nos concede o milagre da vida, e da existência. A pergunta é: o que estamos fazendo, enquanto ainda estamos aqui?
A vida passa rápida demais. E hoje aprendi o verdadeiro significado de quando me diziam: a vida é para ser vivida. Hoje entendo o verdadeiro sentido dessa frase.
Para todos que creem que a vida não acaba aqui, nessa matéria emprestada que chamamos de corpo, fica as sábias palavras de Santo Agostinho:

A morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.

Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.

Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou.

Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.

A vida continua significando o que significou:
continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.
Porque eu estaria for a de teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista ?

Não estou longe,
Somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem.
Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca tuas lágrimas e se me amas,
não chores mais
.

Thiago, que em sua nova caminhada ao lado do Criador, que você esteja em paz, encontre a paz, receba as nossas orações. Porque você realmente não morreu. Só está do outro lado do caminho.


Thiago Alves Cruz

1988 - 2010


domingo, 11 de abril de 2010

As várias cores da morte

Não sei bem ao certo como toda a mudança aconteceu de uma hora para outra. Ainda tento e não deveria, organizar dias, horários do fato. Tudo extremamente muito rápido.
Mas minha mente vagueia no surreal e não torna a organização possível. Desde o momento da descoberta de "mudança da vida para sempre" até o momento de" vazio da vida para sempre", me senti sozinha. Totalmente sozinha. Por mais que as pessoas queridas tentassem me acalmar dizendo : "Vai dar tudo certo" eu não conseguia distinguir o que era certo.
Da pessoa principal ( pessoa principal? deveria ter pensado nele como pessoa principal ou em quem deveria ter uma chance de conhecer o mundo?) escutei, ou melhor li, em uma mensagem: " Pensa comigo, a melhor opção para mim é essa, mas e para você? Eu tô 100% nessa idéia..."
Não. Não era "nós dois" a questão agora. Uma pessoa que comete um erro na ignorância é perdoada mais facilmente pelo simples fato de ser "ignorante". Mas e quando a pessoa tem total consciência do erro? É perdoada também?
Sem raciocínio razoável, sem nenhuma reação, fui tomada por decisões. Elas iam e vinham na minha cabeça e roboticamente agia como tinha que ser.
Entre as dúvidas, o medo o pavor, o desespero total, tinha ondas de calmaria que não duravam o tempo suficiente nem mesmo para dormir.
Até então eu não queria mais. Havia decidido minha vida, havia decidido projetos, havia decidido SONHOS e nada, absolutamente NADA me faria mudar de idéia.
Até que vi que nada poderia ser salvo. Não sei se recebi a notícia com alívio, ou com uma grande mágoa.
Um vazio. Só lembro de ter saido para rua, e visto o final da tarde. Céu azul, algumas nuvens brancas, dia "bom para o resto do mundo". Mas não para mim. Definitivamente não. Sai aleatoriamente como que para uma nova vida. Mas sentindo a morte perto de mim. Dentro de mim.
A morte veio no dia seguinte. Na cor que também é da vida. Um vermelho vivo, dolorido, dando a sensação de impotência. Senti como se houvesse andado pelo inferno por dias. E tenho medo que isso seja só o começo.
Que o inferno tenha realmente, começado agora.

domingo, 28 de março de 2010

Act and consequences

My mind is a battleground.
My heart is a battleground.
My body is a battleground.
Action and reaction.
Empty.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A vida

Engraçado como você vive aqui dentro ainda. Porém, tão guardado, lacrado que quando surge de forma inesperada não mais me assusta.
Viver dentro de uma onda de sentimentos é totalmente diferente das horas que fisicamente vai estar por aqui dessa vez.
Portanto nessas horas que entrou em mim, estamos em fusão, em simbiose. Mas não vou deixar voltar toda a tempestade e tristeza de tempos atrás.
Ter você dessa forma em minha vida quase me completa. Parece um tempo necessário de vivência minha, de aprendizado seu. O aprendizado de desejos de cores e sabores e dores que você não compartilha com mais ninguém, somente comigo. O teu corpo conheço centimêtro por centimêtro, como conheço teu olhar e até tua respiração.
Só não entendo porque você vem e vai, da mesma forma como eu venho e vou. Talvez nós sejamos isso mesmo.
A total falta de compromisso, nos deixa livre o suficiente para sermos um do outro. Em nome da liberdade. Porque você bem tenta deixar de vir, mas não consegue.
Da mesma forma que eu juro não ir mais, mas vou. E depois fica resumido nisso. Nossa vida nasce e morre em algumas horas... Até voltar outras e outras horas.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Eu, Alice

“‘Você já adivinhou a charada?’, perguntou o Chapeleiro, virando-se novamente para Alice. ‘Não, eu desisto’, Alice respondeu. ‘Qual é a solução?’ ‘Eu não tenho a mínima idéia’, disse o Chapeleiro. ‘Nem eu’, disse a Lebre de Março. Alice suspirou enfastiadamente. ‘Eu acho que você deveria fazer coisa melhor com seu tempo’, ela disse, ‘ao invés de gastá-lo com charadas que não têm resposta.’ ‘Se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu conheço’, o Chapeleiro falou, ‘não falaria em gastá-lo como se fosse uma coisa. Ele é uma pessoa.’ ‘Eu não sei o que você está dizendo’, disse Alice. ‘Claro que não!’, o Chapeleiro disse, sacudindo a cabeça desdenhosamente. ‘É muito provável que você nunca tenha falado com o Tempo!’ ‘Talvez não’, Alice replicou cautelosamente, ‘mas eu sei que tenho que bater o tempo quando estudo música.’ ‘Ah! Isso explica’, concluiu o Chapeleiro. ‘Ele não suporta apanhar. Agora, se você ficar numa boa com ele, poderá fazer o que quiser com o relógio. Por exemplo, suponha que sejam nove horas da manhã, bem a hora de começar a fazer as lições de casa, você apenas tem que insinuar no ouvido do Tempo e o ponteiro dá uma virada num piscar de olhos! Uma e meia, hora do almoço!’ (‘Eu queria que fosse’, a Lebre de Março disse para si mesma num sussurro.) ‘Isso seria ótimo, com certeza’, disse Alice pensativamente; ‘mas então... eu poderia ainda não estar com fome, você sabe. ‘A princípio não, talvez’, retomou o Chapeleiro, ‘mas você poderia ficar na uma e meia da tarde tanto tempo quanto você quisesse.’” (Lewis Carroll - Alice no País das Maravilhas)

Fã de Marla

Sou fã desse blog, acho mágico os posts. Sem a autorização da dona, posto aqui o texto do perfil dela. Acho que ela não vai brigar certo? rs. Achei lindo, porque me descreveu também.


"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas.
Me entupo de ausências, me esvazio de excessos.
Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.
Eu caminho, desequilibrada, em cima de uma linha tênue entre a lucidez e a loucura.
De ter amigos eu gosto porque preciso de ajuda pra sentir, embora quem se relacione comigo saiba que é por conta-própria e auto-risco.
O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina.
E a minha lucidez é que é perigosa (...).
Se eu pudesse me resumir, diria que sou irremediável!"

Marla Queiroz



PS: Minha urgência no momento, o que me dá sede de ar, sangue, sonhos, vida enfim, se resume em uma letra do alfabeto. A primeira letra do alfabeto.

Grandiosa Clarice

Meu isolamento virtual de certa forma foi mais que intencional. Um problema de "pc" me impossibilitará de aparecer aqui por um tempo.
Então, procurando umas coisas aqui, outras ali, achei um texto muito interessante de Clarice Lispector:


“Sou o que se chama de pessoa impulsiva.
Como descrever?
Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente.
O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos.
E até que ponto posso controlá-los. [...]
Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente?
Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta?
E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura.
Vou pensar no assunto.
E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso.
Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”

( Clarice Lispector)

domingo, 31 de janeiro de 2010

O impossível que venero

Entre o possivel agora em minhas mãos, um passado recente dolorido, outra lacuna se preenche em segredo, quase obscuro. Isso tudo porque venero o quase impossível.
A palavra medo não se encaixa no agora. Nem em tantos outros momentos que me pego pensando no meu impossível. Mas a necessidade dessa quase dor, existe para que me sinta viva. Nessas horas penso que o sentir pode se tornar visível, mesmo que todos não vejam, uma única pessoa poderá ver.
E é ela que eu temo. É ela meu obscuro. É essa pessoa meu quase impossível. O que nos traz aqui? Não há mais perguntas antigas onde eu questionava : Onde foi que nos perdemos? A pergunta de agora é: Onde foi que nos encontramos? E ainda há outras mais.
Estou quase na fase de gritar para fora, porque dentro de mim, já houve o escape das palavras que tanto tentei evitar. As dores passadas se foram e elas se foram porque o impossível surgiu. E não tenho medo dele. Ao contrário, quero que perceba mesmo em silêncio. Que se cale, aceite, e escute o que não posso falar. E eu sei que vai compreender. E eu espero. Espero que a percepção seja ácida, dolorida porque assim é pra mim. E que mesmo depois de perceber continue. Porque venero o impossível e não vou desistir.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Mudando o que precisa ser mudado

Pessoas empolgam-se com finais de ano fazendo avaliações do ano que passou o que conquistou e o que perdeu. Eu não. Faço isso no meu aniversário. Esse ano começou bem. Mesmo com uns poucos dias difíceis, acho que tudo está indo bem. Eu tentei calcular meus anos em dias. Queria mesmo poder saber os dias bons e ruins que tive. Depois pensei, que não me adiantariam em nada os dias ruins, já que eles haviam passado. Como diz um amigo meu, nada melhor que o tempo, pra sarar, resolver, cicatrizar.
Esse ano entrei com um lema: UMA JUJUBA CADA VEZ. E isso para uma pessoa imediatista como eu, é difícil.
Acredito que vá conseguir. Meus ataques de ansiedade, agonia em nada resolveram. Foram noites mal dormidas, conversas com o travesseiro, e muitas coisas sem soluções.
Abdiquei do imediato. Estou em fase PRÉ. Pré-namoro, pré-curso, pré-resoluções, pré-amigos, pré-esquecimentos, pré-fé, pré-religião. Nada do que vem da ansiedade faz bem. Passos em falsos, falsas interpretações, falsas sensações. Não quero mais nada pendente. Resolvi independente do que houver, deixar tudo resolvido a partir de agora, desse ano.
Alguns amigos continuam os mesmos, alguns novos chegaram, alguns se foram. Cada qual seguiu seu caminho, deixou um pouco de si, levou um pouco de mim e sou grata a eles.
Me vi falando de pessoas que jamais pensei que esqueceria, de forma branda, calma, desejando que tudo ocorresse bem na vida, desde que bem longe de mim.
Algumas pessoas revelaram-se, outras que eu achava conhecer tão bem me surpreenderam, tornando-se estranhos a mim. Quando vejo me pergunto: - Onde foi que nos perdemos?
A "casa" está ficando vazia, algumas coisas guardadas no quarto dos fundos. E o "comôdo vermelho" pode deixar entrar outros móveis talvez (quem já leu o post que leva esse nome sabe do que falo). Todo aniversário é bom. Vemos o que aprendemos, em um ano a mais na vida. O que ganhamos ou perdemos. Os sonhos, as surpresas, a caminho ou já concretizados. Não vou deixar de chorar ás vezes, errar ás vezes, brigar ás vezes, me decepcionar ás vezes. Nem pelo fato de fazer mais um aniversário me tornarei o supra-sumo da sabedoria, inteligência a dona total da verdade. Não de forma alguma. Vou continuar aprendendo a cada dia.
Amanhã vou receber os parabéns, felicidades, todas as coisas básicas que todo mundo fala. Anyway, eu tenho muito mais a agradecer do que reclamar.
Eu gostaria realmente de agradecer as pessoas que continuam no meu caminho. E que quero que permaneçam. E aquelas que não estão mais ou que por algum motivo, precisam sair, também só tenho a agradecer. Algo sempre foi aprendido. Algo ensinado. Mudando o que precisa ser mudado. Vivendo o que precisa ser vivido.
Agradeço ao mundo e a Deus. Agradeço a tudo. Obrigado pelo dia de amanhã. E por todos os outros que ainda virão.


P.S: Ao J. "you are, only exception". E sempre será.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Isolamento virtual

"O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice. Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem-vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa."


Esse é um trecho de Martha Medeiros com uma grande verdade. A gente não deixa de amar. Só deixa guardado em um canto.
Eu realmente gostaria de lembrar quantas vezes eu disse "eu te amo" pra alguém nessa vida. A única coisa que sei é que nunca falei sem realmente sentir.
O fato é que as pessoas interpretam cada um, de uma forma. O que pode ser arduamente e intenso para mim, pode não ser para o outro. Fato, até triste, mas é um fato real.
Preciso de um isolamento virtual. E o que isso tem a ver com o post? Tudo. Não estou em fase depressiva, querendo morrer, achando que o mundo é cruel. Ele não é. Algumas pessoas é que são. Frias, indiferentes, evasivas, inoportunas, complicadas. E elas nos atingem quando trazemos elas para nossas vidas, simples assim.
O negócio todo é que não está me atingindo mais como antes. Porque como diz no trecho, que inicia esse post, não expulsei de casa, guardei em um quartinho dos fundos, tirei do meu foco de atenção. Retirando aos poucos do meu "cômodo vermelho".
Se perguntar: - Ainda ama? -Sim! sem dúvida! -Ainda quer? -Humm... Temos um abismo difícil para atravessar.
Engraçado é que quando consigo visualizar é assim que enxergo. Eu de um lado, do abismo, ele do outro. Um lugar pedregoso. Frio, nublado. E até mesmo nos meus sonhos é assim que parece.
Meu foco de atenção está em outras coisas, pessoas e objetivos. Tenho livros pra ler, aula que logo começa e outras coisas pra resolver. Mas principalmente, eu. Preciso do meu reencontro, já que esse ano parece que vai valer muito a pena. Por isso o isolamento virtual será necessário por esses dias. Não vou perder amigos, nesse meio tempo, aliás, teremos mais assuntos daqui uns dias. Não vou perder pré-namorado, porque existe celular e telefone fixo e moramos na mesma cidade.
E não posso perder o que guardei no quartinho. Porque simplesmente não posso perder o que não tenho.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

The only exception

"...Maybe I know somewhere deep in my soul
That love never lasts
And we've got to find other ways
To make it alone or keep a straight face
And I've always lived like this
Keeping a comfortable, distance
And up until now I swored to myself
That I'm content with loneliness,
Because none of it was ever worth the risk

But you are the only exception..."


Talvez eu saiba algum lugar no fundo da minha alma
Que o amor nunca dura
E nós temos que achar outros meios de seguir
Em frente sozinhos ou ficar de cabeça erguida
E eu sempre vivi assim
Mantendo uma distância confortável
Até agora eu tinha jurado a mim mesma
Que eu era feliz com a solidão
Porque nada disso valia a pena o risco

Mas você é a única exceção..."

( The only exception - Paramore )


A exceção errada. Mas a única que vale a pena.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Buffalo, meu alter ego

Plagiando meu amigo, pra não dizer o único que ocupa um LUGAR IMENSAMENTE grande no meu coração, da categoria amigos masculinos, um de seus muitos momentos de inspiração:


"O que se entende por "o que somos"?

Prometemos coisas que as vezes sabemos que não cumpriremos. Dizemos coisas que não acreditamos verdadeiramente. Usamos nosso tempo ocioso pra tentar achar defeito em outras pessoas, e se elas não tem, criamos.

Não somos nada, e somos tudo! Somos apenas mais um na vida de alguém, apenas outro que atravessa a faixa de pedestres, esperando o carro parar, somente alguém que vai seguir as regras da vida, ou pelo menos tentar. Por isso, somos tudo, pois dessa forma continuaremos com as mesmas regas, os mesmos pensamentos, os mesmos clichês.

Não acredito que tudo o que façamos, que faremos, não valha de nada, que nunca valeu a pena, que o destino não existe, e que nunca tocamos ninguém de verdade. Não posso aceitar que eu jamais estive perto de conseguir o que queria, ou que jamais conseguirei. Tenho sonhos, simples sonhos e quero acreditar neles.

Sempre darei o melhor de mim a vocês, mas jamais façam com que me sinta humilhado, jamais usem de covardia contra mim, pois eu jamais faria isso com vocês. Não sou nada, e sou tudo!"

( Marco Antônio - 13uffaloW)


Ps: Quando eu crescer, quero ser igualzinha a ele. Sérião.


Quando viesse

Ainda pequena, eu sabia que um dia você viria. Que seria em um dia de chuva. Era quase como um conto de fadas, uma verdadeira premonição. Algumas vezes no caminho, alguém veio. Eu pensava:
"Será que você finalmente chegou?". E não era. Algo faltava, faltava o dia de chuva. A vida passando, eu vivendo, coisas acontecendo e eu ainda esperando. Quando eu nada mais esperava você apareceu. Trouxe na sua bagagem, todo sonho que eu queria, todo sorriso que acalmava, todo som que me fazia flutuar. E estava chovendo. Frio, chuva, você tinha um coração e mãos quentes. Ali encontrei o refúgio que busquei, toda segurança e vida que poderiam completar a minha vida. E assim, me senti viva, completa e amada. Por um tempo você ficou. E eu realmente acreditei que ficaria na roda viva comigo, enfrentando o que viesse, todos os monstros que surgissem, porque eu te amava, porque você me amava. Mas você não ficou. E eu não pude fazer nada para impedir que fosse embora. Levou consigo, toda a capacidade, tudo que havia de melhor em mim. E eu fiquei. Parada, olhando você ir, sem nada poder fazer. Cai. Não sou anjo, mas me perguntei muitas vezes se minha queda poderia se comparar a queda de um anjo. Me perguntei muitas vezes se era isso que eles sentiam: um abismo escuro, sons desconexos, o vento assobiando, os olhos fechados, e aquela queda que nunca, nunca acaba. Até que ela chegou ao fim. Senti o corpo dolorido, dilacerado, marcado, machucado. E sobrevivi. Totalmente consciente de tudo o que havia passado, mudei. Penso, que as mudanças na vida de alguém devem ser construtivas, boas, mas a minha não foi. A mudança foi construtiva, mas extremamente dolorida. Você veio algumas vezes. Embriagado, confuso, mascarado. E sempre sorrindo. E mesmo assim, toda vez que aparecia, parecia ser meu sol particular, o brilho mais bonito da lua em uma noite. E eu deixei você vir. Erro meu. A cada partida sua uma nova queda, um novo abismo. E eu cansei. Não de você ou de tudo o que vivi com você. Mas dessa situação todas aos pedaços, tudo pela metade, tudo vago, caminhando pro vazio. Pro nada.
E acho tão bonito tudo o muito e o pouco que vivemos que não quero que se torne um nada. Quero que fique guardado no baú das lembranças, na gaveta da memória, página por página da nossa história. Você me ensinou algo. Eu te ensinei algo. Que eu possa lembrar do aperto seguro, quente da sua mão, que é o que mais faz me lembrar de você. Que eu possa lembrar do seu sorriso, do seu abraço do seu toque, sem dor.
Outras pessoas virão para mim. Outras pessoas para você. Que ambos sejamos capazes de sermos justos, corretos e amorosos, mais, muito mais do que fomos um para o outro.
Agora eu posso seguir minha vida, novamente, não porque perdi você. Mas porque um dia, um tempo atrás você fez parte dela.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma jujuba de cada vez

Uma jujuba de cada vez. É assim que tem que ser, e estou aprendendo aos trancos e barrancos como lidar com isso. Não se pode ter a loja de doces toda de uma vez. Enjoa. Simplesmente, porque vemos um doce, que pode estar no alto da prateleira e pensamos: " - É aquele que quero." Você vai, sobe a escada para alcançar a prateleira e sabe-se lá Deus o que faz para conseguir pegar o doce.
Então, você tem o doce na mão. Olha, e pensa: " - Onde devo morder? Qual o gosto que tem?" E morde. E gosta do sabor. Fica saboreando um tempo, e do nada o doce enjoa. A partir dai você olha outro doce. E sobe para alcançar em outra prateleira. Deixando o outro doce pela metade. É assim com a maioria das pessoas que tem tudo nas mãos de uma vez só. Por isso o certo é, uma jujuba de cada vez. Até mesmo porque você não quer se tornar um doce mordido pela metade, certo?
Ando lendo muito novamente. Meu refúgio, os livros. E foi em um desses que encontrei quase que uma fábula sobre a "jujuba".
E depois disso, foi que eu decidi. Não quero ser mais um doce. Quero ser um pacote de jujubas. Porque não quero ficar mais pela metade, mordida, com o recheio escorrendo, largada em um balcão, achando que meu gosto, não é agradável para alguém.
Melhor ser um pacote de jujubas. A pessoa que quiser abrir o pacote, terá que comer uma por uma em doses homeopáticas, para não enjoar, saber apreciar, e para não largar o pacote de jujubas no balcão ou no lixo. Ou seja, querer ficar com o pacote de jujubas porque o gosto é bom. Porque se viciou em jujubas, porque nunca vai enjoar, porque jujubas são capazes de lhe fazer feliz. E nenhum outro doce mais.
Doces pela metade, consequentemente param no lixo. Um pacote de jujubas também pode parar no lixo. Mas depende de quem abrir o pacote. Valerá a pena, se a pessoa que abrir o pacote, entender que para funcionar tem que experimentar aos poucos. Valerá a pena se a pessoa se contentar em receber, uma jujuba de cada vez.