terça-feira, 20 de julho de 2010

Idade Balzaquiana

"E agora o que? Agora é que se aprende a viver. Que se aprender o que fazer, o que querer o que não querer. Aprende a dizer não e receber não. A saber, o que é em vão. O que vai te fazer feliz ou não. Aprende a conhecer o corpo, o bom gosto, a solução. Agora é a hora de ser de verdade um cidadão. Se despedir dos medos, do não. Se abrir pra solução. Independência, escolhas, renuncia. Agora sim sou eu sem medos imaturos no sentido mais literal da razão."

(Texto de uma comunidade do orkut)

Pois é. É isso mesmo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Coisas que a vida ...

Coisas que a vida... Dá. Meu deu sem saber. Mas só quero lá pra frente. Vamos trabalhar nos sonhos então.


15-09-2010
Inverno - frio

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Uma porta, uma janela, uma decisão

Hoje eu tive medo. Medo do novo que surgiu. Fiquei pensando em como e porque me desfazer de velhos sentimentos. Eles me são caros, mesmo me machucando tanto. Pensei: " Se der esse passo, vai ser bom, vai ser novo, mas vou chorar, sei que vou chorar, porque virar a página nem sempre é fácil mesmo que a vida tenha aberta um janela linda em um dia de sol."
A janela se abriu. Mas ainda me dói a porta que se fechou. E a dor é a única certeza que mantém a memória viva de que um dia ele existiu.
Ás vezes penso que, quando está por perto, tenho medo até mesmo de respirar. Tenho medo dos minutos que se tornam segundos e logo ele precisa embora.
Tento guardar qualquer sorriso, palavra e som na memória. Como se colocasse em um urna na parte mais alta da estante, e dia após dia me alimentar daquela alegria. Até mesmo o cheiro tento guardar.
Faz poucos dias que você se foi. E novamente, como em uma montanha-russa, a lembrança volta a rondar os dias e noites.
A questão é que é a última vez. Já foi decidido. Eu nunca quis fechar a porta. Eu realmente queria que a luz do sol, continuasse todos os dias, quando você me trazia ele. E depois vieram as tempestades, o frio, os dias de chuva. E eu esperei. Esperei por um milagre. Mas os milagres ás vezes vem de outras direções.
E um dia, depois de muito tempo com o cômodo totalmente trancado, uma das janelas se abriu. Timidamente, trazendo os raios do sol novamente, esquentando aos poucos, iluminando o cômodo. E eu deixei entrar. Mas tenho medo. Porque ainda olho a porta, esperando algum movimento mínimo que seja, algum sinal de vida, algum sinal de sol. Que nunca vem. E tenho medo de que um dia você volte, e abra a porta. Mas já não me encontre mais ali.

A boneca de carne e osso

Ok, vamos lá. A pior discussão é aquela com a pessoa que escuta e ainda se faz de surdo. Não há argumento, não há teoria que se faça entender. Uma vez cabeça-dura, sempre cabeça-dura.
A questão é: quando se entra em um jogo, até que ponto você esta disposto a arriscar todas as fichas?
Pois é. O problema é não saber que se está jogando, e descobrir tempo depois, tarde demais. Desde que o mundo é mundo, o universo feminino e masculino jamais irão se igualar. Se um dia isso acontecer, pode ter certeza que entramos em uma "nova era".
Mulheres que saem na balada passando o rodô e dizendo que "só querem curtir" não me convencem. Colega, sou do mesmo sexo que você, conte-me outra.
Saem sim, na busca, na espera de que o cara que beijou seja seu Príncipe encantado. E juro, não estou sendo machista. Homens deveriam vir com um botão de sensibilidade e perceber que mascaramos que pensamos como eles. Fantasiamos sim, sonhamos sim, ficamos ansiosas sim. Queremos agradar e queremos ser vistas da mesma forma como olhamos pra eles.
Quando uma mulher disser: "-Estou só por opção", entenda que ela está querendo dizer: "-Estou só agora, mas gostaria muito que você mudasse essa situação." Essas são as benditas "entrelinhas" que deixamos no meio do caminho.
Do nada fulano conhece beltrana. Fulano sai com beltrana. Rola química, rola desejo, rola vontade. E rola. E a partir dai tudo fica de certa forma indefinido. Fulano some por um tempo, cai na balada, cai no futebol, cai no trabalho, cai na casa de amigos e opa! conhece ciclana.
Deixa beltrana pra trás. "Ah não foi nada demais, foi só uma noite..." Ok, uma vez só, uma única noite. Mas beltrana reaparece, e pior: com outro ciclano. Fulano sente-se deixado pra trás, indignado, traído.
Mas alto lá... Não havia sido somente uma noite?
Isso não aconteceria se fulano não sumisse da vida de beltrana. Ou se fulano tentasse descobrir mais sobre beltrana. "Mas foi só sexo, no que isso implica?" No que implica? O que de mais íntimo pode haver do que o sexo? Ok, sexo é instinto, é tesão, é oportunidade e desejo. Tá, eu sei.
Sexo não implica em nada desde que você vá pra cama com uma boneca inflável. Ela não vai pensar no outro dia se agradou ou não, e nem se sentir o pior ser humano se o fulano não der notícias no dia seguinte.
Mulheres dramatizam por qualquer coisa. Ainda mais se você foi cama com uma "boneca de carne e osso" as coisas podem ( e vão ) ser diferentes.E isso está longe de ser insegura. As inseguras, essas sim, são aquelas que a cada esquina estão beijando um ( porque afinal de contas, uma hora vai agradar alguém) e se intitulam modernas.
Não há como não mexer com as estruturas, pelo menos do lado feminino, quando envolve sexo. Mexe sim. Então, mesmo que seja só por uma noite, tente descobrir como o outro funciona. Do que gosta, como é, o que lhe causa alegria, inspiração. Do que tem medo, que estilo de música prefere, se tem medo de filme de terror, se gosta da noite, se gosta do dia, se tem cicatrizes, o que gosta de fazer, quais os sonhos, o nome do melhor amigo. Não julgue, não precipite. Mesmo que vire em nada, mesmo que seja um caso, ou que vire um namoro. Se for pra ir pra cama com alguém que seja na sua totalidade. Não leve pra cama só o tesão na hora. Não é porque você vai conhecer a pessoa a fundo que ela precisa ser pra toda vida. Ás vezes nem mesmo é. Mas mostre que você está ali sabendo com quem está. Conheça.
Um email, uma mensagem, um telefonema não ofende ninguém. Demonstrar interesse também não. Afinal de contas, sexo é intimidade não é?
E por favor, se o sexo é bom, controle o membro fálico dentro das calças. Nem sempre quantidade é sinônimo de qualidade. Lembre-se que todo ser humano é ÚNICO. Ninguém é igual a ninguém. Cada forma de pensar, de sentir, de ver o mundo é único.
Não se sabe o dia de amanhã. Você ter objetivos, projetos, idealizações é uma coisa. Programar a vida é totalmente diferente. Ela não é programável. A vida acontece.
Ninguém sabe quem do nada vai invadir sua rota. Ás vezes caminhar lado a lado, e outras vezes entrar em colisão.
Pedro Bial já dizia: " ... não seja leviano com o coração dos outros... não ature gente de coração leviano."
Não julgue beltrana se você foi deixado de lado pelo ciclano. Afinal de contas, você abriu caminho pra isso, não adianta reclamar, e nem tem porque, afinal de contas " foi só uma noite".
Aprenda enquanto é tempo usar da sua potencialidade, da sua totalidade. Não quer envolvimento, não quer arriscar? Compre uma boneca inflável.
Para que realmente valha a pena, recuse-se a "usufruir" de um corpo, sem antes saber qual o tipo de coração que bate dentro dele. Garanto, será bem melhor.




domingo, 11 de julho de 2010

O corpo

"Para o coração pulsar descontroladamente, precisa mais do que lençóis." - GM -

Fiquei pensando nisso por horas ontem. Momento filosófico-melancôlico-arrependido. Pior do que não se importar com a opinião alheia, é não saber a opinião que terão sobre você depois de "uma-atitude-sem-pensar-que-valeu-muito-a-pena". E pasme, eu me preocupei.
Eu sempre tive uma tendência astrológica, já que sou aquariana, de ser rebelde e não me chocar com coisas que faço ou que os outros fazem. (Difere quando se trata de injustiça, tá?)
Eu já fiz coisa que até Deus duvida, já vi coisas que até Deus duvida, e não me arrependo de nada até hoje. Mas tudo muda quando você anda numa fase meia "cristal-quebrado", tentando não quebrar mais o que resta de você, porque afinal de contas, é ser humano e cansa.
Cansa de criar expectativas, cansa de esperar alguma coisa boa e concreta que parta de outro ser humano em relação a você.
Cansa dessa modinha desse século perdido onde as pessoas mudam seus valores como as estações do ano.
Cansa de não fazer coisas que nunca fez e se sente um rato por não tentar. Então eu fiz. E fiquei com um nó na cabeça pior que de marinheiro.
Ou talvez ando assim pelos amores atrasados que andam aparecendo. Odeio fantasmas. Águas passadas. E garanto, quando digo águas passadas, são passadas mesmo.
Pensando nessa situação quase absurda de quebra das minhas teorias e ética pessoal "inquebrável" de atitudes impensadas, me vem a mente um trecho de Caio Fernando Abreu:

"Eu não procurei, não insisti. Contive tudo dentro de mim até que houvesse um movimento qualquer de aceitação. Quando houve, cedi. A sua cabeça pesava no meu braço. Ele estava bêbado? Estava cansado? Eu era apenas um braço onde ele debruçava a sua exaustão? Ele se indagava se eu o recebia como receberia qualquer cansaço humano ou sabia que eu estava tenso, na espreita, dilacerado? (...)

Aquele contato era premeditado ou ocasional?
As indagações pesavam sem resposta, e numa lucidez desesperada eu num repente assimilava todos os detalhes, dissecava o que acontecia em torno como se tivesse mil olhos, envelhecia como a noite lá fora, virando madrugada, a luz fraca -eu tudo compreendia, tudo sabia. (...)
Não. Recusa mesmo essa espécie de alívio. Não quer a cor. Prefere o dilaceramento cada vez mais intenso, mais insolucionado. Precisa sofrer e morrer muitas vezes por dia para sentir-se vivo. Chegara à constatação de que era só, Único, e que devia bastar-se a si mesmo, e justamente por isso precisava de uma outra pessoa. Os grãos de areia nunca se tocam. Mesmo quando juntos há entre eles uma espécie de carapaça que não os deixa tocarem se. Jamais um núcleo toca outro núcleo.(...) Um certo prazer em saber-se assim solto, assim perdido entre as coisas, assim contendo um mal-estar que ninguém saberia de quê. (...)
Você sabe que vai ser sempre assim. Que essa queda não é a última. Que muitas vezes você vai cair e hesitar no levantar-se, até uma próxima queda. Prefere jogar-se numa atitude que seria teatral, não fosse verdadeira, sentir os espinhos rasgando carne, as pedras entrando no corpo, o rosto espatifado contra o fim desconhecido. Precisa ir até o fundo. (...)
Eu tremia? Não. Sentia minhas próprias unhas furando as palmas das mãos, mas meu corpo estava seguro, em riste. O primeiro toque foi dele. As mãos comprimiram minhas pernas. Depois, uma das mãos libertou-se avançando em forma de ternura. Nos seus cabelos, as minhas mãos iam e vinham, adivinhando a tessitura. Era noite, ainda. O ritual já fora cumprido. (...)
E de repente nos ferimos. Com a boca. Senti seus lábios nos meus, os dentes se chocando, as mãos que seguravam meu rosto, investigavam meus traços, eu nascia por dentro, quase gritava, tentávamos desvendar um ao outro, mas não íamos além da tentativa, que já se fazia angústia em suas mãos como espinhos, subindo por meu corpo inteiro, busca tensa. Não, não era amor, não foi amor. Tudo explodia num plano muito mais alto, muito mais intenso. Nos desvendávamos com a fúria dos que antecipadamente sabem que não vão conseguir jamais.
Alguma coisa morria em mim naquela procura de meta inatingível, desconhecida -e num tempo mesmo algo nascia de repente, puxado não sei de que desvão, de que sombra oculta, de que arca fechada, coberta de poeira, abriam-se portas em mim, janelas quebravam, estilhaços saltavam, pedaços de vidro me cortavam sem piedade, já não via a noite, o dia, o tempo, o espaço onde estávamos, vagávamos no cosmos ou estávamos presos numa esfera conhecida? eu não sabia, eu morria, eu nascia sucessivamente, em desespero, eu compreendia súbito. Não, não era amor. Era terror. (...)
Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido -e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero. Que espécie de coisa o cigarro queimou, além dos cabelos? Sei que foi mais fundo, mais dentro, que nessa ignorada dimensão rompeu alguma coisa que estava em marcha. Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto."

Não existem amores imediatos, relâmpagos. E eu tenho medo, porque o beijo era bom.

sábado, 10 de julho de 2010

Relacionamentos

"Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:- 'Ah,terminei o namoro...'- 'Nossa,quanto tempo?'- 'Cinco anos...Mas não deu certo...acabou'-É não deu... Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos esta coisa completa. Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.Tudo nós não temos. Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate...mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família? O legal é alguém que está com você por você. E vice versa. Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar,seu pensamento. Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração. Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo. E nem sempre as coisas saem como você quer...A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. E nem todo sexo bom é para namorar. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. Nem todo sexo bom é para descartar.Ou se apaixonar. Ou se culpar.Enfim...quem disse que ser adulto é fácil? "

-Arnaldo Jabor-

Arcano 13 - A morte

" Esse arcano, também chamado de O Ceifador, representa o rompimento definitivo com o passado para que nasça uma nova vida repleta de novidades. Também sugere verdades, transformações, rompimentos de valores e/ou ilusões, fim de ciclo e indica prosperidade futura. Para um melhor entendimento da potencialidade da Morte, pesquise as seguintes palavras: mudança, transformação, raiva, ceticismo, melancolia."



Que assim seja, eu quero. Amém.

Efêmero

" Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora todas as oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes. Muitas flores são colhidas cedo demais. Algumas, mesmo ainda em botão. Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranquilas, vividas se entregam ao vento. Mas a gente não sabe adivinhar. A gente não sabe por quanto tempo estará enfeitando o Éden e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao nosso redor. E descuidamos. Cuidamos pouco. De nós, dos outros.
Nos entristecemos por coisas pequenas e perdemos minutos, horas preciosas. Perdemos dias, ás vezes anos. Nos calamos quando deveriámos calar, falamos demais quando deveriámos ficar em silêncio. Não damos "abraços" que tanto nossa alma pede porque algo em nós impede essa aproximação.
Não damos um beijo carinhoso, porque não estamos acostumados com isso e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos.
E passa a noite e chega o dia, o sol nasce e adormece e continuamos os mesmos, fechados em nós. Reclamamos do que não temos, ou achamos que não temos o suficiente. Cobramos dos outros. Da vida. De nós mesmos.
Nos consumimos. Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais que a gente. E se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos? Isso faria uma grande diferença.
E o tempo passa... Passamos pela vida, não vivemos. Sobrevivemos, porque não sabemos fazer outra coisa.
Até que inesperadamente, acordamos e olhamos para trás. E então nos perguntamos: - E agora?
Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço ao amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos.
Nunca se sabe, nunca se é velho demais ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.
Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos. Olhe para frente! Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer pela vida, que mesma efêmera, ainda está em nós."
- autor desconhecido-

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O controle da ilusão

Já dizia o sábio Caio Fernando Abreu:


"Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!”

Depois de passado um certo tempo lidando com as cicatrizes que ficaram, sonhos esquecidos nas gavetas, noites de sonos perdidas e lágrimas de puro desespero, a duras penas aprende-se a viver o inesperado e a não tentar controlar todas as situações. Talvez um coração endurecido demais, não se abre as novas possibilidades porque desconfia que pode se machucar de novo. Caracteristica de bicho quando fica acuado.
Pois bem. A vida é um dia de cada vez e nem todos os planos darão certo. A vida é um dia de cada vez e sem querer parecer pessimista, nem tudo que queremos, podemos ter. Talvez quando temos já não queremos mais pois mudamos de direção. Isso fazia parte dos sonhos guardados nas gavetas, lembra? Só vale a pena lutar arduamente por algo que nos faça crescer, que trará algum benefício próprio, como estudo, carreira, ou uma viagem espiritual a Índia, Tibet, Himalaia.
Não vale a pena lutar arduamente quando trata-se de pessoas. Porque o ser humano é mutável, aprende algo novo a cada dia, escolhe caminhos, toma decisões.
E esses caminhos e decisões nem sempre está incluido outra pessoa na rota. Aprender que o mundo dá voltas, ajuda e muito a cultivar a paciência ( que segundo a astrologia, para qualquer aquariana como eu, imediatista, que querem tudo pra ontem, é praticamente impossível.)
Aprender a viver mais e se iludir menos é uma arte. Aprender a não colocar suas idealizações em outra pessoa, é praticamente um milagre.
Mas acredite, a vida ensina. E muito bem. Ela dá a lição quantas vezes forem necessárias, repetindo a lição até que entre na cabeça. E no coração.
Aprender a controlar a ilusão, também ensina a respeitar o outro. Seja o outro um ser amado no momento, seja o outro um ser odiado no momento.
Para o amado, só resta torcer pra que o tempo ajude, e o caminhos se cruzem. Para o odiado, só resta esperar pacientemente as voltas que o mundo dá.
Não espere de outra pessoa, o que você também não seria capaz de fazer. Não ache que você deve ser amado mais, receber mais, se não está disposto a fazer o mesmo.
Controle a ilusão das situações. Não veja mais além do que está acontecendo no momento, não coloque os olhos do coração no caminho.
Aprenda a ler os sinais, as entrelinhas. Não acredite nas palavras. Observe as atitudes do outro para com você. O que se fala cai no vento, cai no esquecimento, mas as atitudes carregam a verdade.


Algumas pessoas merecem isso:

"Eu preciso muito muito de você, eu quero muito muito você aqui de vez em quando, nem que seja muito de vez em quando. Você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor, você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone, basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio, juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você." -Caio Fernando Abreu-


E outras isso:

“Você me provoca, você me perturba. Joga água e sai correndo. Atira a pedra e me acerta de raspão. Me espia no escuro e mostra a língua. Me xinga. Me atiça. Invade o meu sossego. Meu refúgio. Pisa no meu ninho com os sapatos sujos. Na minha toca. Sem saber o meu tamanho, até onde vai meu bote, você me provoca achando que não há perigo. Sem conhecer a força da minha mordida, o tamanho dos caninos. Você me provoca sem esperar a picada. Sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno…” -Caio Fernando Abreu-


E eu deveria ler isso todo santo dia, para lembrar como sou:

"Te­nho que ter paciência para não me perder dentro de mim: vivo me perdendo de vista. Preciso de paciência porque sou vários caminhos, inclusive o fatal beco-sem-saída." - Clarice Lispector -