domingo, 6 de janeiro de 2008

Decepção

"Pode falar pra tia Gio...Quem foi dessa vez? Alguma aspirante sonhadora do estilo Pussycat dools ou qualquer uma mesmo?"

Tentei... Falei o que não devia falar e recebi uma mentira de volta. Como tantas outras já ditas. E percebi isso. Tudo bem... Talvez a idiota da história toda, seja eu realmente.

" (...) Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida".(...) "

" (...) Eu não procurei, não insisti. Contive tudo dentro de mim até que houvesse um movimento qualquer de aceitação. Quando houve, cedi. (...) "

"Um detalhado roteiro, feito dissesse dissimulado estou esperando, você pode me encontrar. Ah como doía manter-se assim disponível, completamente em branco para a procura."

Vi que talvez seja vazio demais pra qualquer tipo de sentimento se instalar ali. Vazio, vazio, tão vazio...

" (...) Chegara à constatação de que era só, Único, e que devia bastar-se a si mesmo, e justamente por isso precisava de uma outra pessoa. Os grãos de areia nunca se tocam. Mesmo quando juntos há entre eles uma espécie de carapaça que não os deixa tocarem se. Jamais um núcleo toca outro núcleo. (...) "

" (...) Eu era apenas um braço onde ele debruçava a sua exaustão? Ele se indagava se eu o recebia como receberia qualquer cansaço humano ou sabia que eu estava tenso, na espreita, dilacerado? (...) "

" (...) Alguma coisa morria em mim naquela procura de meta inatingível, desconhecida -e num tempo mesmo algo nascia de repente, puxado não sei de que desvão, de que sombra oculta, de que arca fechada, coberta de poeira, abriam-se portas em mim, janelas quebravam, estilhaços saltavam, pedaços de vidro me cortavam sem piedade, já não via a noite, o dia, o tempo, o espaço onde estávamos, vagávamos no cosmos ou estávamos presos numa esfera conhecida? eu não sabia, eu morria, eu nascia sucessivamente, em desespero, eu compreendia súbito. Não, não era amor. Era terror. (...) "

E negou e mentiu. Eu percebi. E mais uma vez me calei.

" (...) Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. (...) "

E mais uma vez eu chorei. Entre tantas outras vezes que chorei perdida no meu próprio silêncio. Em uma dor que só compete a mim sentir até o extremo e depois que chegar a esse ponto deixá - la morrer. Dá mesma forma que nasceu. Sem mais esperas, sem mais conversas, sem mais tentativas, sem mais nada. Voltar a ser o que era.

" (...) Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso. (...) "

Mesmo assim sou boba suficiente pra ter boas lembranças, e ainda desejar o bem. Mas sim, eu sei que percebeu. E nisso a mentira continua de ambas as partes. Uma finge não sentir, o outro finge não perceber. Por isso tantas fugas no caminho. Desculpe, não queria te fazer mal. Mas agora acho que é hora de respirar. E isso tudo já durou tempo demais.

" (...) sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando. (...) "

"Meu coração tá ferido de amar errado."


03:27 hs



























Nenhum comentário: