segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Bullshit, a realidade é outra.

Eu li algo sobre 'As quatro leis espirituais ensinadas na Índia', e pensei:

- Que merda, a realidade é outra.

Não adianta falar de uma hora para outra que 'o fim chegou, agora é bola pra frente.'
Toda essa merda, não funciona assim. 

E as leis são:

1a.) "A pessoa que vem é a pessoa certa."
2a.) "Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido."
3a.) "Toda vez que iniciar algo, é o momento certo."
4a) "Quando algo termina realmente, aceite."

Não, nem sempre é. Eu já gostei de pessoas, e elas sempre foram erradas, até mesmo para o tal momento. E mesmo assim, na burrice, persisti até cansar.

Não... NUNCA acontece o que poderia ter acontecido. Ás vezes, poderia ser pior.

De novo eu digo, não. Há momentos que, não se deve começar nada. Absolutamente nada, principalmente quando questões antigas ainda borbulham por dentro, mal resolvidas.

Agora um NÃO sonoro, e triplo: NÃO, NÃO e NÃO.
Todo ser humano na sua vida já passou por algo assim. Não se aceita do dia pra noite ou vice-versa 
o final de um relacionamento. Seja amizade, seja amor, seja os dois juntos.
A aceitação ocorre ( e olhe lá) depois de um bom tempo, e ás vezes veja bem, carregamos os baús com nossos fantasmas aprisionados á sete chaves e cadeados.
Você não os toca mais, mas ninguém de fora também, não.
Seria de suma importância que essas quatros leis fossem levadas ao pé da letra. Seguidas, repetidas, até ficarem gravadas no subconsciente para ver se isso causaria algum resultado.
Longe de toda essa condição ZEN, o que ocorre na verdade, é o desespero, a dor antecipada, quando percebemos que algo está morrendo ali, a olho nu, e você sem saber o que fazer, para que lado correr, sem nem saber pra qual santo pedir ajuda.
Tudo isso dói. Toda a transformação do TUDO em NADA, pode começar exatamente na manhã de hoje, quando você abriu a porta e deu com o dedão do pé na escrivaninha.
É quando você sente o amor morrendo por dentro. Não há desfibrilador, injeção de adrenalina, nem respiração que ressuscite o moribundo.
Ele está morrendo, e ponto final. E você vai carregar mais um defunto, que com o tempo virará um fantasma, mas como um obsessor, vai te perseguir em algumas ruas que você passar. Em alguns cheiros que você sentir, em alguma música que você escutar.
Não há escapatória: todos os sentidos ficam comprometidos. A mente com as lembranças, o coração com a taquicardia.
E mais uma vez eu digo: ISSO DÓI. E dói pra valer. E dói até os ossos, e até tarde da noite, na cama quando dorme, no sonho que tem, na manhã quando acorda e vê que não teve volta que realmente passou, e morreu.
E você nada pode fazer para salvar.
Eu não faço planos para mudá-los daqui um ano. Eu faço planos para toda uma vida.
É praticamente um contrato, que se eu quebrar, vou pagar muito caro futuramente.
Mas foge do meu controle quando a morte ocorre do outro lado da história. Nisso não há oração, reza, pedido, nem macumba que dê jeito.
Portanto, quem estiver prestes a perder um amor, uma amizade, ou os dois lembre-se:
Vai doer. Vai doer até os ossos. Vai doer tanto que você vai chegar ao ponto de achar que não vai aguentar. Você vai se sentir morto por dentro, vai sentir até mesmo o cheiro da necrose interna, vai causar desespero. E o pior: nem garanto a você que vai passar. Se for o dito 'amor da sua vida', vai ser muito, muito pior.
As quatro leis indianas são lindas. Lindas para serem lidas, discutidas, ver a beleza que a cultura indiana tem. E na verdade, eles parecem ser quase deuses. Mas funcionarão somente se você for a reencarnação de Ghandi.
Para nós, meros mortais, estamos condenados a danação interna. Pra que serve um inferno fora, se temos um particular? 
Quem dera essas 'leis' funcionassem mesmo como leis, e não precisassem ser 'ensinadas'.
Porque na prática my friend, a realidade é outra. Bem outra. Aprender que é bom, ninguém aprende. 


Nenhum comentário: