segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Meio bonita

'Você sabe de quem eu estou falando. Ela chega, cumprimenta, tem um jeito engraçado de cruzar as pernas, usa aqueles sapatos. Quando tira os óculos você observa um tanto mais e tem a impressão de que a conhece de algum outro lugar, uma amiga de infância talvez, ou quem sabe a mocinha do filme antigo, aquela... Você não grava os nomes.
Se reparar bem, verá que os olhos são bonitos, de um formato que você nunca viu igual em outros rostos. Talvez não combinem com o nariz, que não é feio, porém foge um pouco do contexto proposto pelos olhos, e digamos que a boca, que não é feia, tornou-se apenas sem graça perto de um par de olhos muito bonitos e um nariz despropositado.
Em casos leves, você pensaria ‘ela é quase bonita’. Em casos com certa gravidade, você diria ‘ela tem um tipo bastante especial’. Se fosse feia, você não estaria aí pensando nela ou observando seu modo de cruzar as pernas. Ela é bonita, mas tem aquele jeito de rir, meio polêmico, e aquela maneira de andar, rápido demais, e quem sabe se não tivesse essa mania de esconder os próprios olhos atrás de tão estranhos óculos.
Você sabe muito bem de quem eu estou falando. Pensa que eu não sei? Acordou todos esses dias, sentiu-se solitário, frágil. Tropeçou diversas vezes em objetos variados, esqueceu alguma coisa muito importante e sentiu falta de alguém pra esquentar suas mãos. As garotas que você conhece são amigas demais ou pretendentes demais e você quer alguém distante, que te olhe de uma forma bem particular, te deixe confortável, contente, triste. De preferência alguém a quem você ainda não ame para poder falar abertamente sobre sua teoria de amor latente, amor que já habita algum determinado espaço e apenas não foi direcionado a algum alvo específico. Amor que já existe e você não encontra alguém com quem dividir.
Poderia ser essa menina, se ela não roesse as unhas. Se ela não tingisse o cabelo dessa cor. Se você tivesse coragem. E se não te assustasse tanto o fato de que ela se parece demais com o seu mundo, meio bonito. Meio antiquado. Meia estação.'

Zine Vanilli

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O ponto final

Como se coloca um ponto final nas pessoas que passam pelas nossas vidas? Não há fórmulas. Essa é um das respostas que todo ser humano na face da terra, gostaria de saber.
Existem somente meios. E cada um deve procurar o sua forma de lidar com a 'perda'. A questão é: nós realmente perdemos, ou são os ciclos da vida que mudam ou que nos mudam? Perda, eu considero das pessoas que já se foram e que eu não posso mais ver. Isso sim, eu considero uma perda. Mas as pessoas que simplesmente decidimos 'perder' em vida, ou nos 'perdem' em vida, isso eu chamo de ciclo.
Um dia você percebe que 'fulano' não se encaixa mais na sua vida. E mesmo assim, você insiste em 'amar' essa pessoa. Mas por que? Porque a vaidade e ego falam mais alto. Porque orgulho fala mais alto e até mesmo a raiva muitas vezes. E isso nada tem a ver com amor. E quando novas chances surgem, você se esforça 'arduamente' em gostar de outra pessoa que surge, mas ainda tão centrado no 'amor' antigo, que custa a entender que a atual pessoa pode te completar mil vezes mais. Se você realmente permitir que isso aconteça.
E quando não acontece, você perde. Você perde algo novinho em folha, pra cultivar os fantasmas empoeirados escondidos na mente e no coração. Cuidado: a paciência é algo que o ser humano ainda não é capaz de cultivar em toda a sua totalidade. E seu amor 'novinho' em folha, pode não ter tanta paciência assim.
Amar pela metade não existe. Odiar pela metade não existe. Ou é, ou não é. Mas ficar enraizado em uma questão que já acabou é perda de tempo. E principalmente, perda de vida.
Uma página em branco ali ó, novinha em folha pode ser escrita de forma mais alegre, mais sincera, mais lúcida. Virar a página, seguir em frente, dar uma chance, escrever um novo livro. Uma nova história.
Se você continuar apegado as situações do passado, as páginas amareladas da sua vida, é só isso que terá. E todo o resto ficará estagnado como água escura em um poço. Amores antigos são saudáveis, quando mesmo que, os que terminaram em dor, podem ser lembrados com carinho, porque passaram e hoje consegue-se ver a lição que deixaram. Mas são amores antigos, e não vícios. Amores antigos, que se tornam vícios, começam a criar limo, mofo dentro de nós mesmos. O que não permite dar entrada a mais ninguém.
E ás vezes um amor novinho em folha surge a nossa porta, e não percebemos de imediato. Geralmente só o percebemos quando ele vai embora. E quando sentimos a perda dói, porque percebemos que o novo poderia valer realmente a pena, enquanto o antigo se tornou um vício. E vícios são superados com o tempo. Se você realmente quiser.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

The little things give you away

'Don't want to reach for me, do you?
I mean nothing to you, the little things give you away




But now there will be no mistaking
The levees is breaking

All you've ever wanted
Was someone to truly look up to you
And six feet under water, I do

All you've ever wanted
Was someone to truly look up to you
And six feet underground now

Now I do...

Oh, oh...

The little things give you away.'


'Não vai estender a mão para mim, vai?
Eu não significo nada pra você, os pequenos detalhes lhe entregam
E agora não haverá nenhum erro
As barreiras estão se quebrando

Tudo o que você sempre quis
Era alguém que olhasse verdadeiramente para você
E mesmo a seis palmos sob a água, eu o faço

Tudo o que você sempre quis
Era alguém que olhasse verdadeiramente para você
E mesmo a seis palmos sob o chão agora

Eu o faço

oh, oh..

Os pequenos detalhes lhe entregam.'

( The little things give away - Linkin Park )