terça-feira, 28 de julho de 2009

Preciso

Preciso estudar mais.
Preciso esquecer ele.
Preciso reativar minha matricula.
Preciso esquecer ele.
Preciso arrumar meu quarto.
Preciso esquecer ele.
Preciso passar roupa.
Preciso esquecer ele.
Preciso acordar mais cedo.
Preciso esquecer ele.
Preciso me alimentar melhor.
Preciso esquecer ele.
Preciso pintar o cabelo.
Preciso esquecer ele.
Preciso terminar de ler 4 livros.
Preciso esquecer ele.
Preciso jogar conversa fora com os amigos.
Preciso esquecer ele.
Preciso colocar os e-mails em dia.
Preciso esquecer ele.
Preciso que o sol apareça logo.
Preciso esquecer ele.
Preciso assistir meu filme favorito de novo.
Preciso esquecer ele.
Preciso terminar as tarefas de inglês.
Preciso esquecer ele.
Preciso organizar a vida escolar dos filhos.
Preciso esquecer ele.
Preciso mascarar a saudade.
Preciso esquecer ele.
Preciso me organizar.
Preciso esquecer ele.
Preciso de um emprego legal.
Preciso esquecer ele.
Preciso sufocar a carência.
Preciso esquecer ele.
Preciso sonhar mais.
Preciso esquecer ele.
Preciso lembrar dos sonhos.
Preciso esquecer ele.
Preciso de mais café.
Preciso esquecer ele.
Preciso de uma atividade física.
Preciso esquecer ele.
Preciso ouvir a voz, ganhar um beijo e um abraço.
Mas só se fosse o dele.


( Garoa - Nublado - Frio )


domingo, 26 de julho de 2009

Com Flip, sem Flip...

Se o mundo é machista e nós sofremos de várias piadinhas sem graça, bom, no nosso mundo "cor-de-rosa" também temos nossas "maldades" (que prefiro encarar como escolhas).
Me disseram ( não sei se foi um deboche ou não) que eu sou boa nas palavras.
Sou? Não sei. Se acerto ás vezes acho que é questão de sorte.
Prefiro pensar que ás vezes meus pensamentos, param na minha lingua e escapam.
E dependendo da situação, tenho a lingua ferina.

Mas o que isso tem a ver com FLIP?
Explico:

Existem homens com FLIP, e homens sem FLIP.

Novamente explico,

( se é que ainda existe necessidade disso, porque um ser humano com uma percepção um pouco aguçada já teria entendido).

FLIP seria aquela parte do celular que, na maioria das vezes abrimos ou estendemos ( use a imaginação da forma que quiser) para atender a uma ligação.
Nesse momento, algo em torno de 10 ou 12 cm no máximo, ganha um tamanho maior, certo?
Certo.
Até aqui, tudo entendido, tudo bem.

E como surgiu a comparação com o FLIP?

Estavámos eu e uma amiga na academia.
Ela cumprindo seus 60 minutos de esteira, eu na sua frente, conversando.
Não é um local muito apropriado para se colocar assuntos intimos em dia, mas por pura falta de tempo de ambas, não havia outro jeito.
Foi quando surgiu o assunto sobre o famoso "membro fálico",
( aquilo que os homens tem entre as pernas e não são os joelhos).

E como comentar sobre isso, em uma academia, onde a maioria eram homens andando pra lá
e pra cá, exibindo seus biceps, triceps, coxas e afins?

O Celular.
Ela queria me contar o quão grandiosa havia sido sua saida,
e a "dimensão" da diversão.
Então, foi ai que abri meu celular.
Dei duas opções:
Ele fechado, sem o FLIP aberto
Ele aberto, com o FLIP estendido.

Foi quando ela me disse:
-Aberto... Sem FLIP ninguém merece...
E então, surgiu a comparação com o FLIP.


Não foi por maldade. Juro.
Mas também toda essa discussão de "COM" ou "SEM", esclareceu muitas coisas.
Homens se preocupam com tamanho. Sempre.

Da mesma forma que algumas mulheres se preocupam em ter peitões, ou bundão,
e não tem.
Isso atinge o ego. A confiança e a segurança.
Porém, para "bundões"e "peitões" já existe solução.
O famoso silicone.

E o caso do FLIP?
Bom, isso ai é algo mais complicado.
Homens que não possuem FLIP tem a noção de que algo falta.
Se tornam problemáticos, tentam mascarar.
E tentam compensar isso em algumas situações:
*Viram o garanhão da turma
( Porém, só pegam na frente dos amigos, em festas, baladas, algo mais além disso não acontece)
* Entram de cara na bebedeira todo santo final de semana
( tentando deixar de lado o "fracasso" que ele imagina ser)
*Levam a vida pra outro lado
( Tornando-se celibatários, não dando importância para o sexo, apesar de querer muito)

E os homens com FLIPs?
Esses levam a vida na boa.
Não precisam provar sua masculinidade a todo momento.
E pegam pra valer. Pegam geral.
Ou pegam só uma. Eles não precisam provar nada a ninguém.
Porque se sentem seguros.

O fato é que:

Assim como as mulheres, as que não possuem nem bundão, nem peitão e acham que isso
é algo essencial, um homem sem FLIP pode ser feliz se usar a imaginação.
Não sabe? Aprenda.
Todo homem com a falta de FLIP, deveria saber que não é só o "membro fálico"
que se usa em um ato sexual.
Eles também não precisam sair pegando meio mundo em festas.
Nem enfiar a cara na cachaça.
Nem mesmo se tornar celibatários.

Existem homens com FLIP que são um zero a esquerda, direita, ida e volta na cama.
Mas eles tem FLIP, por isso se acham no direito de
"Venha a nós e vosso reino nada".

A questão é:

Nós também nos ligamos em tamanho
( tudo bem pode não parecer justo isso, mas...)
E pior do que não TER FLIP, é não ter imaginação.
O mundo é cruel infelizmente.
Na falta de FLIP, esforce-se mais.
Nasceu assim, vai morrer assim, não há o que fazer.
Não acredite nesses aparelhos que prometem que o bichinho vai dobrar de tamanho.
Não vai.
Admita pra si mesmo que, na falta de FLIP, há outras formas de satisfazer sua parceira.
Não jogue um problema seu para debaixo do tapete, tentando compensar com uma "auto-destruição"
ou uma "auto-afirmação" mediocre, passando por cima de muita gente no meio do caminho.
Quando no fundo você bem sabe o que aflige.

Ser homem, não significa que você precisa ter o "FLIP" como o do seu amigo, que pode ter um "FLIP" imenso.
Mulheres se ligam em tamanho?
Sim, muitas a maioria na verdade.
Da mesma forma que muitos homens gostariam de ter em sua cama
a Juliana Paes.
( Desculpe, mas só me veio ela na cabeça).
Mas muitos casais conseguem ser felizes com a falta ou o excesso de FLIP.
Porque há sinceridade.
Porque há respeito.
Porque há cumplicidade.
Porque há amor, carinho, maturidade, intimidade, desejo um pelo outro.

É triste os homens que se definem como um "membro fálico" ambulante e acabam se tornando mediocres, hipocritas, cafajestes, por algo que compete somente a eles resolver interiormente.
Quando um problema fica debaixo do tapete por muito tempo, a poeira começa a subir.
E sufoca. Tanto ele, quanto quem esta por perto.

Feliz é o homem que, COM FLIP ou SEM FLIP, sabe o que é, e sabe o que quer.
E o que não sabe vai atrás pra aprender.
Que tem imaginação.
Que tem noção que consegue satisfazer quem esta com ele.
E que não precisa provar nada pra ninguém, porque sabe do que é capaz.
Posso parecer preconceituosa, maldosa e até mesmo injusta, com todos os homens que não possuem
FLIP.
Mas já fui daquelas que queria ter bundão e peitão.
Mas aprendi a ser feliz assim, como sou.
Porque simplesmente me aceitei. E sei do que sou capaz.
Com bundão e peitão, ou sem eles.

E na verdade, o mundo dos homens muitas vezes é tão injusto com as mulheres...
Porque não podemos ser um pouquinho má com eles também?






PS: Fabih esse post foi inspirado em suas palavras e em suas risadas gostosas.



sexta-feira, 10 de julho de 2009

Oscilações no mundo de Alice

Há coisas que acontecem, pessoas que aparecem e quando você tenta, e tenta pensar o porque embaralha mais ainda. É quando você pergunta pra Deus, qual o sentido e o propósito disso tudo. E nem sempre ele responde, parece que esta olhando e dizendo :"- Estou te dando mais uma lição, aprenda."
Andei tendo umas noites de cão. E erros. Com o diabo na cola, literalmente. Ali no pé do ouvido, totalmente amigo e sedutor. Ele é, ah ele é mesmo. Ninguém sabe como é a dor do outro, então julgar como "drama" é muito fácil, quando na verdade seu balde "de dor" recebeu a última gota. Entendo que toda situação é uma lição. Mas e quando você perde alguém que ama em vida, como fica? Não falo da morte física, essa é irremediável. Como é que fica? Não fica. Você não fica. Você não quer mais ficar. Mesmo que acerte na mega sena amanhã, e tenha grana pra conhecer o Taj Mahal, Jerusalém, Egito, Dubai e tantos outros lugares, você não quer mais ficar. Porque tudo perde o sentido. Você se sente limitado. Vazio e impotente. E ninguém vai entender o que você esta sentindo. E a rejeição? Mais uma dose extra. Você acaba se perguntando onde você errou, e se não é suficiente para preencher um pouco ou muito a vida do outro. Você está ali com uma caixa de Pandhora nas mãos querendo abrir, mostrar tudo de bom que tem pra oferecer, e todas as falhas que com a ajuda do outro tentará arduamente anular, porque a presença da pessoa na sua vida tem a capacidade de você querer e desejar a vencer as suas limitações. E as palavras que vem de consolo? Ás vezes pioram mais ainda a situação. Você não quer ouvir nada a seu respeito. Nem de bom, muito menos de ruim. E os consolos não vem só dos amigos que no cúmulo do desespero querendo te levantar do chão só faltam te pegar no colo, mas muitas vezes a distância não permite. O pior do consolo vem da própria pessoa amada. Esse realmente dói. Mas tudo bem, ele esta tentando ser o mais justo e amavelmente posssivel, tentando explicar o porque de não querer você mais na vida dele. E você novamente fecha a caixa de Pandhora, e na verdade fica tão aturdida que não faz a mínima idéia de onde vai guarda-la. Não há mais espaço. Você só encontra limitação. E pensamentos. Ah esses as vezes são os piores. Você puxa lá do canto das lembranças palavras, gestos, situações, dias, datas, cheiros... Você lembra da força que você tinha quando a pessoa estava presente na sua, vida, e só o fato dela estar ali mostrando que lhe queria bem, era suficiente pra enfrentar 10 leões por dia e o mundo se fosse preciso no final da tarde. E tudo dói de modo dobrado. E você só quer o silêncio. Para que as palavras parem na sua cabeça. Ou que você consiga congelar por alguns segundos os momentos bons que tiveram. Mas a partir dai começa uma ciranda de sensações. Elas rodam e rodam ora na lembrança, ora na saudade passando imediatamente pra dor, porque você começa a pensar que poderá não ter mais nada daquilo. Você acaba sendo injusto com o amor que outros sentem por você. Porque a dor passa do interior para o exterior e sua presença acaba parecendo nada benéfica pra ninguém. Se nem você está se suportando por estar rastejando, acaba não querendo que quem te ama veja você no chão. E você está tão anestesiada que não consegue levantar dele porque esta cansada. Principalmente quando já levou tombos demais, mas conseguiu levantar, aos trancos e barrancos conseguiu. E lá vai você com mais uma cicatriz de recordação. Sacode a poeira e recomeça tudo de novo. Mas esses tombos são lições. Para que erros não sejam repetidos, e te torne um ser humano melhor. Mas e quando você tem uma caixa de Pandhora nas mãos, faz o que? É nessa caixa que está tudo o que você é, e esta ofertando ao outro de coração e alma, sem restrições, dizendo que com a presença dele encontrou um motivo pra continuar. Quando você cai com a caixa, não é só você que quebra, ela quebra-se também. E você vê esvair todas as coisas boas pelo chão. Você sente tudo o que tem de bom correndo como água da chuva, pelo bueiro da esquina. A sensação é de morte. E você realmente tem a sensação que merece isso. Porque a caixa está lá quebrada e vazia. E de repente, você também.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Um raio na árvore de Alice...

Coisas para aprender independente da idade:

Jamais diga algo que você não tenha intenção de sustentar. Isso chama-se covardia. Não confie em palavras, a verdade estará sempre nas atitudes.

É fácil fazer o BEM? É fácil fazer o MAL?
Depende da sua concepção de BEM e de MAL.
Você pode fazer o BEM todos os dias e mesmo assim se sentir triste.
Como você pode fazer o MAL, matar alguém aos poucos, ter CONSCIÊNCIA disso e ainda continuar a deitar a cabeça no travesseiro e dormir todas as noites. ( e mesmo assim alguém em algum lugar vai continuar "morrendo" por sua causa. O que na verdade deve ser algo bem interessante, ver alguém ser um morto-vivo. )

Amigos não são pra todas as horas.
Eles também tem a vida deles.
Jamais os acorde numa madrugada só porque você se sente SÓ.
Aprenda a lidar com os seus demônios sozinha, ninguém tem culpa se eles existem e você carrrega um monte deles.

Não existem "acasos". Existem coisas que podem ser evitadas e mesmo assim você mete o dedo até se queimar.

Deus é inefável. Se você demorar muito tempo para escutar o chamado dele, ele pode deixar de ouvi-lo.

O inferno não é bom. Mas também não é ruim. É prático. Faça sua escolha e vá em frente.

O mundo não vai parar porque você está mal, portanto, permanecer nele é escolha pessoal de cada um.
Com certeza talvez você acabe não fazendo tanta falta assim.
As pessoas vão continuar vivendo independente da sua presença ou não.

Não seja correta o tempo todo.
Já dizia a frase : Bonzinho só se lasca.

Aprenda a conviver com a dor. Ou você a aceita ou vai passar muito tempo brigando com ela, e acredite, ela vai insistir em permanecer lá.

Não se torne amarga. Torne-se cínica. Pelo menos assim você ainda consegue dar boas risadas.

"Eduardo e Mônica" foi baseado em uma história real. Mas não foram uma exceção. Foram um milagre.

Acredite que mês de julho é um mês do cão. E dias de chuva no mês de julho serão sempre os piores.

Se você sofre de "mãos geladas" o tempo todo, trate de urgentemente fazer que o frio seja dividido. Instale um pouco dele no coração. As coisas ficarão bem mais fáceis.

Se você acha que tem, ou realmente tem um dom de outro mundo use-o. Faça coisas incriveis com ele. Pelo menos serve como uma ótima distração. Brinque de fantoche ás vezes. Com os outros, claro.

Não acredite em todo pôr-do-sol. Ou em todo amanhecer. Nem todos são bonitos e você acaba vendo que tem que passar mais um dia por aqui, sendo que não quer mais passar nenhum dia por aqui.

Morrer é fácil, e calmo. Difícil é viver. E extremamente cansativo.
Se você desistir tudo bem.

Não perca tempo tentando solucionar os problemas dos outros quando você não consegue solucionar os seus. Na verdade nem dê ouvidos. Egoísmo também é uma forma de defesa.

Se você vive brigando com sua porção "Veronika" interior deixe ela vir a tona pra ver o que acontece. Talvez ela tenha uma decisão mais proveitosa que a sua.

Faça coisas extremas. Se você não ficar chocada, alguém ficará e isso é certo.

Não tente preencher vazios interiores.

Acredite que transformações de uma vida inteira podem ocorrer em algumas horas. Como miojo, praticamente instântaneo. Pra isso acontecer basta alguém tirar de você algo que você acreditava existir desde que nasceu. E pasme! não existe!
( Ah o amor... essa raposa...)

Não lamente a morte de ninguém.
Ao contrário, inveje. Isso mostra que você ainda esta aqui e tem mais pecados pra acertar do que o falecido.

Deixe um modelo de carta sempre em mãos. Elas podem ser úteis uma hora.

Cace encrenca ás vezes. Quem sabe uma hora elas podem dar um bom resultado.

Contos de fadas não existem. Príncipes não existem. E nem amor existe. Aquilo tudo era coisa de Walt Disney.

Se for chorar, chore escondido.
Ninguém vai chorar por você. E muito menos COM você.

Não se doe demais. Isso faz mal.

Saiba que você sempre será suficiente pra você, mas JAMAIS para os outros. As pessoas nunca sabem o que querem até perder tudo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Corre pra árvore, Alice!

Eu ando em turbulência de sentimentos e sensações. Ás vezes, quando isso acontece, gosto de voltar as lembranças da minha infância. Naquela epoca, minha preocupação eram as férias de julho e dezembro que significavam, viajar para a casa da minha avó. Sempre chegavámos no final da tarde. Do portão sentia-se o cheiro de pão, café e todas as guloseimas que eu tinha o direito de usufruir sem me preocupar com a balança. Amava o cheiro da casa da minha avó. Amava o cheiro dela. Nos dias seguintes, não me importava em sair. Prefiria ficar pelo pátio, no meio do seu jardim, mesmo que isso significasse ser picada por formigas ou abelhas. Tinha uma coloração incrivel quando amanhecia o dia : o céu sempre azul celeste, uma brisa gelada com cheiro de pinheiro. E lá eu criava meu mundo. Suas plantas e flores viravam saborosas comidas feita com barro. Sua área, virava minha casa e cozinha. E lá eu passava horas a fio... Depois de arrancar sempre meia dúzias de rosas e margaridas, isso a enlouquecia! Mas até mesmo sua "bronca", era de forma amena, ela dizia :"-Sua gata, tá arrancando as flores da vó! Não arranque as flores da vó, elas demoram pra nascer!" Nesse momento, muitas vezes eu com petálas de margaridas ou rosas na boca, com os olhos arregalados quase rindo, meu avô entrava em cena. Vô Waldemar... Vinha na calma dele, como sempre, sorrindo, me apertava as bochechas e dizia: " - Moranga mole..."
Porque "moranga mole"? Porque eu era branquinha, pálida e ele me apertava as bochechas para que ficassem rosadas. E funcionava. Nisso ele colocava a mão no bolso, me dava um valor x e dizia para atravessar a rua com cuidado e ir no "Seu Nino", comprar "laranjinha" e "pipoca" para parar de fazer as plantas da minha avó como refeição.
Voltava com os braços cheios! Feliz! E ali passava a tarde comendo pipoca, bebendo laranjinha, até chegar o final da tarde hora de tomar banho e seguir para a mesa, tomar o café.
De toda minha infância, o que mais sinto falta é isso. De toda aquela coisa boa e despreocupada. Por isso quando entro em conflito, "subo na árvore". "Corre pra árvore, Alice!". Parece uma coisa a toa isso. Tentar fugir de um "problema". Mas na verdade não é uma fuga. É a busca de uma estrutura. A busca de uma boa sensação vivida em outrora, onde você poderia ter a nítida sensação de "perfeição".
Minha avó faleceu há alguns anos. Eu a vi antes de partir. Conversavámos e não falavámos da doença. Lembro ter me sentido mal em ir assistir "Titanic" no cinema, enquanto a visitava, porque queria passar o máximo de tempo possivel com ela. No dia seguinte contei o filme inteiro enquanto pintava suas unhas. Mãos delicadas, frias... Foi uma demonstração de carinho e agradecimento por todos os momentos maravilhosos em que vivi na infância. No dia de me despedir só consegui dizer algo como : "- vó fica boa logo tá? qdo voltar não quero a senhora nessa cama." Beijei-lhe a testa, pedi sua benção e sai do quarto. Quase aos prantos, porque eu sabia que não a veria mais. E ela no fundo também sabia. Então me permito subir na árvore ás vezes. Relembrar coisas boas, importantes, essenciais. Porque isso me ajuda a lembrar que mesmo difícil no dia de hoje, eu já fui feliz algumas vezes. E essa felicidade, essa alegria de outrora me faz querer ser feliz novamente.






P.S: Saudades vó, muita saudade.