sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Trato com Deus

Para o ano novo nada pedi. Só fiz um trato com Deus. O que se decreta como depressão, melancolia, eu encaro como realidade. A morte.
Não é da vida que tenho medo não. Tenho medo da morte. 
E não é da minha. Tenho medo de ser privada sem aviso prévio ( e geralmente é assim mesmo) ser privada da presença das pessoas que amo.
Muito dos meus dias eu vivo por elas. Elas talvez nem saibam, ou mesmo que eu fale, talvez nem acreditem.
Ela me disse: teu coração bate forte. Eu disse: como assim? Ela me disse: parece que está sempre pronto pra luta.
E sim, geralmente ele está. 
Talvez eu seja um dos seres mais ranzinzas da face da terra. Mas prezo arduamente as pessoas que eu ouso falar que amo. E amo mesmo.
Fiz um trato com Deus por pura covardia. Não gosto de pensar em um plano B em como seria minha vida aqui, sem quem me é importante, vital. Eu simplesmente não suportaria ninguém indo embora. 
Então, com toda covardia que me é de nascença nesse sentido pedi pra Deus que não levasse ninguém.
E que no dia que chegasse a hora, ele tivesse imensa bondade de me levar antes, porque ficar aqui sem os que eu amo, ai sim seria o verdadeiro inferno.
E eu pedi com tanta fé, e pedi com tanta vontade, e realmente pedi de coração, e pedi humildemente.
Ele sabe das minhas fraquezas. E ele sabe que eu não aguentaria ver ninguém indo embora.

domingo, 5 de maio de 2013

Carta de Roland para Sofia


'Sofia, Sofia, acorda, eles foram embora e nos deixaram para trás.

Agasalhe-se rápido o inverno está próximo e a estrada é longa.
Pegue seus manuscritos, pegue sua pena, não se esqueça dos grãos de café.
Vamos para onde dessa vez Roland?
Vamos para qualquer lugar onde parar não seja uma opção, vamos queimar todas as pontes que atravessarmos, vamos cair no buraco do coelho, vamos encontrar o pote de ouro, vamos encontrar o final do oceano, vamos para uma aventura, ter estórias para contar, não tenho tempo de contar tudo agora, perderia a graça, o caminho é o que importa Sofia, o final é dor, o caminho nos dará lembranças que tornará nosso fim mais fácil, ou melhor, menos doloroso.
Não se esqueceu dos grãos de café né?
Sofia sorriu e disse para Roland andar logo que ela não tinha o dia todo.'

Arjuna Baptiston

segunda-feira, 15 de abril de 2013

No title

E o doar-se, e o chorar-se, e o querer-se, e o desesperar-se,
e o esperar-se, e o sonhar-se, e o decepcionar-se, e o magoar-se,
 e o gritar-se, e o assustar-se, e o insistir-se, e o rir-se,
e o devorar-se, e o esvaziar-se, e o desconfiar-se, e o quiser-se,
e o amar-se, e o odiar-se, e o trair-se, e o mentir-se, e o enganar-se, e o omitir-se, 
e o ludibriar-se, e o sumir-se, e o escolher-se, e o adoecer-se, e o virar-se, e o contra-se,
e o fizer-se, e o optar-se, e o sonhar-se, e o mudar-se, e o tentar-se, e o iludir-se, o amigar-se,
e o beber-se, e o fumar-se, e o rir-se, e o seduzir-se.
E o desistir-se.

Dama da noite

Lembrei de um trecho de Dama da noite de Caio Fernando Abreu. 

'Eu sou a dama da noite que vai te contaminar com seu perfume venenoso e mortal. Eu sou a flor carnívora e noturna que vai te entontecer e te arrastar para o fundo de seu jardim pestilento. Eu sou a dama maldita que, sem nenhuma piedade, vai te poluir com todos os líquidos, contaminar teu sangue com todos os vírus. Cuidado comigo: eu sou a dama que mata, boy.'


E é exatamente assim que me sinto agora. Você acaba descobrindo o que pensam de você, da forma mais absurda possível.
Você acredita piamente na pessoa, em todos os sentidos. E depois descobre que no âmago da coisa toda, não é bem assim que funciona.
É que no final de tudo, o que realmente conta, jamais é o que você fez de bom. Isso nunca vai contar.
Conta sempre o que a pessoa deduz sobre alguma questão.
Uma forma covarde de, jogar antecipadamente qualquer frustração futura, em algo que ela julga que você 'não deseja'.
Como sorte em alguma coisa, seja lá o que for essa coisa.
Pessoas egocêntricas fazem isso.
Eu não consigo entender de imediato, porque não sei até hoje como lidar com decepção imediata.
Eu não sei ainda como colar cacos, quando eles acabaram de me cortar.
Eu não sei mais olhar a pessoa do mesmo modo, eu não sei mais sentir do mesmo modo, eu não sei mais respirar do mesmo modo, eu não sei mais como encaixar a pessoa em minha vida do mesmo modo.
E talvez não haja modo. nem conserto, nem alguma reparação.
É hora de deixar de lado, e encontrar o seu 'modo' de viver.

Quebra de sigilo

Nas voltas que o mundo dá, há pessoas que imaginam, pensam, que podem entrar dentro da outra e minuciar sentimentos e sensações.
Não vim ao mundo em busca de ser compreendida. Vim ao mundo para compreender. Pelo menos era o que eu esperava o que acontecesse, e até agora não aconteceu completamente.
Não sei o que se passa na cabeça de outrem, que acredita ter a imensa capacidade de julgar, prevenir, avisar, que o mesmo que lhe ocorreu, vire figurinha repetida na vida do outro, sendo que cada ser humano é único, e cada qual vive as experiências de vida ao seu modo, e aprende do seu jeito.
Ser influenciável é uma coisa. Ser burro é outro. Tomar experiências pessoais como exemplos, é idiotice.

Como dizia Gabito Nunes 'você não sabe o que carrego no peito'.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Bullshit, a realidade é outra.

Eu li algo sobre 'As quatro leis espirituais ensinadas na Índia', e pensei:

- Que merda, a realidade é outra.

Não adianta falar de uma hora para outra que 'o fim chegou, agora é bola pra frente.'
Toda essa merda, não funciona assim. 

E as leis são:

1a.) "A pessoa que vem é a pessoa certa."
2a.) "Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido."
3a.) "Toda vez que iniciar algo, é o momento certo."
4a) "Quando algo termina realmente, aceite."

Não, nem sempre é. Eu já gostei de pessoas, e elas sempre foram erradas, até mesmo para o tal momento. E mesmo assim, na burrice, persisti até cansar.

Não... NUNCA acontece o que poderia ter acontecido. Ás vezes, poderia ser pior.

De novo eu digo, não. Há momentos que, não se deve começar nada. Absolutamente nada, principalmente quando questões antigas ainda borbulham por dentro, mal resolvidas.

Agora um NÃO sonoro, e triplo: NÃO, NÃO e NÃO.
Todo ser humano na sua vida já passou por algo assim. Não se aceita do dia pra noite ou vice-versa 
o final de um relacionamento. Seja amizade, seja amor, seja os dois juntos.
A aceitação ocorre ( e olhe lá) depois de um bom tempo, e ás vezes veja bem, carregamos os baús com nossos fantasmas aprisionados á sete chaves e cadeados.
Você não os toca mais, mas ninguém de fora também, não.
Seria de suma importância que essas quatros leis fossem levadas ao pé da letra. Seguidas, repetidas, até ficarem gravadas no subconsciente para ver se isso causaria algum resultado.
Longe de toda essa condição ZEN, o que ocorre na verdade, é o desespero, a dor antecipada, quando percebemos que algo está morrendo ali, a olho nu, e você sem saber o que fazer, para que lado correr, sem nem saber pra qual santo pedir ajuda.
Tudo isso dói. Toda a transformação do TUDO em NADA, pode começar exatamente na manhã de hoje, quando você abriu a porta e deu com o dedão do pé na escrivaninha.
É quando você sente o amor morrendo por dentro. Não há desfibrilador, injeção de adrenalina, nem respiração que ressuscite o moribundo.
Ele está morrendo, e ponto final. E você vai carregar mais um defunto, que com o tempo virará um fantasma, mas como um obsessor, vai te perseguir em algumas ruas que você passar. Em alguns cheiros que você sentir, em alguma música que você escutar.
Não há escapatória: todos os sentidos ficam comprometidos. A mente com as lembranças, o coração com a taquicardia.
E mais uma vez eu digo: ISSO DÓI. E dói pra valer. E dói até os ossos, e até tarde da noite, na cama quando dorme, no sonho que tem, na manhã quando acorda e vê que não teve volta que realmente passou, e morreu.
E você nada pode fazer para salvar.
Eu não faço planos para mudá-los daqui um ano. Eu faço planos para toda uma vida.
É praticamente um contrato, que se eu quebrar, vou pagar muito caro futuramente.
Mas foge do meu controle quando a morte ocorre do outro lado da história. Nisso não há oração, reza, pedido, nem macumba que dê jeito.
Portanto, quem estiver prestes a perder um amor, uma amizade, ou os dois lembre-se:
Vai doer. Vai doer até os ossos. Vai doer tanto que você vai chegar ao ponto de achar que não vai aguentar. Você vai se sentir morto por dentro, vai sentir até mesmo o cheiro da necrose interna, vai causar desespero. E o pior: nem garanto a você que vai passar. Se for o dito 'amor da sua vida', vai ser muito, muito pior.
As quatro leis indianas são lindas. Lindas para serem lidas, discutidas, ver a beleza que a cultura indiana tem. E na verdade, eles parecem ser quase deuses. Mas funcionarão somente se você for a reencarnação de Ghandi.
Para nós, meros mortais, estamos condenados a danação interna. Pra que serve um inferno fora, se temos um particular? 
Quem dera essas 'leis' funcionassem mesmo como leis, e não precisassem ser 'ensinadas'.
Porque na prática my friend, a realidade é outra. Bem outra. Aprender que é bom, ninguém aprende. 


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Eu quase não confio mais em você

Eu quase não confio mais em você.
Porque uma vez prometeu algo que não faria, algo que não queria em nossas vidas, porque eu acreditava que o novo valia a pena, e em certo momento, o impulso foi maior que a promessa.
Eu quase não confio mais em você.
Porque deixou que brincassem com nossa intimidade, e não teve coragem de impôr respeito a isso.
Respeito a eu, respeito a você, a nós.
Eu quase não confio mais em você.
Porque disse que o passado estava morto e enterrado, que ele não importava mais, mas na primeira oportunidade, lembrou de datas, jurando que era pela convivência, e eu vi em seus olhos que não era por isso.
Eu quase não confio mais em você.
Porque eu não tenho cartas na manga, nem segundas opções. Se você me deixasse, mudasse pra outro país, outro planeta, eu me sentiria perdida até me dar conta que meu caminho eu teria que fazer sozinha, enquanto você tem como segunda opção a pessoa que mais te degradou por uma vida toda.
Eu quase não confio mais em você.
 Mas é o quase que segura de ainda ser feito uma história bonita disso tudo.
É o quase que cria a possibilidade de você reconhecer o erro, o chute na trave, a bola fora, a mancada, a mágoa que criou.
É o quase que tem que ser o motivo de respirar fundo, e ter paciência, mais paciência, para que a confiança possa ser renovada.
Eu quase não confio mais em você.
E é ele que mantém, porque em todas ás vezes que pensei em desistir, foi o quase que não me deixou tomar decisão uma precipitada.
Eu quase não confio mais em você.
Mas isso não significa que não ame. Porque também cometo erros, e se ainda não cometi, eles estão por vir.
É isso que quero que entenda, e não leve pro lado da ofensa: o quase pode parecer meio termo, mas também pode ser salvação.
Porque é no quase, tirando as arestas aqui e ali, deixando o tempo passar, deixando a confiança se renovar, é no quase que se salva o tudo,  tudo que se deve salvar.



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Setembro

Você não percebe que ando dolorida,
Não ando mais colorida,
e tenho medo de você ver.

Você não percebe que ando com dor constante,
Ás vezes dilacerante,
Com medo de te perder.

Você não percebe que tenho ciúmes,
das coisas que você vê, de quando não estou com você.

Por mim, eu ficaria grudada igual carrapato,
observando cada fato,
que contigo está pra acontecer.

Tenho medo que o tempo não ajude,
Que tudo que é bom mude,
E tudo que tenho, venha a desvanecer.

Tenho medo que você cresça,
Que todo amor desapareça,
E que de mim você venha a esquecer.

Não é que não acredito no que é bonito,
em tudo que você tem me dito,
E não se cansa de repetir e esclarecer.

É que ás vezes me acho um cão sem dono,
um mendigo, e até um demônio,
E que por isso, não venha a te merecer.

Por isso te digo, tenha paciência 
Ás vezes pode ser só carência,
Isso vai mudar você vai ver.

Quero que acredite que te amo,
E seja aqui ou em outro plano,
Eu jamais vou te esquecer.




sábado, 17 de março de 2012

6 meses

Pra quem calcula 6 meses como meio ano que se passou, eu calculo como início de um novo caminho.
E eu quero mais 6 dias, mais 6 meses mais 6 anos, e mais e mais...
Há 6 meses eu descobri o motivo perfeito para seguir adiante, matar um leão por dia, e ainda sentir felicidade no final.
Há 6 meses descobri o amor. E continuo descobrindo que ele não tem fim.
<3