segunda-feira, 15 de abril de 2013

No title

E o doar-se, e o chorar-se, e o querer-se, e o desesperar-se,
e o esperar-se, e o sonhar-se, e o decepcionar-se, e o magoar-se,
 e o gritar-se, e o assustar-se, e o insistir-se, e o rir-se,
e o devorar-se, e o esvaziar-se, e o desconfiar-se, e o quiser-se,
e o amar-se, e o odiar-se, e o trair-se, e o mentir-se, e o enganar-se, e o omitir-se, 
e o ludibriar-se, e o sumir-se, e o escolher-se, e o adoecer-se, e o virar-se, e o contra-se,
e o fizer-se, e o optar-se, e o sonhar-se, e o mudar-se, e o tentar-se, e o iludir-se, o amigar-se,
e o beber-se, e o fumar-se, e o rir-se, e o seduzir-se.
E o desistir-se.

Dama da noite

Lembrei de um trecho de Dama da noite de Caio Fernando Abreu. 

'Eu sou a dama da noite que vai te contaminar com seu perfume venenoso e mortal. Eu sou a flor carnívora e noturna que vai te entontecer e te arrastar para o fundo de seu jardim pestilento. Eu sou a dama maldita que, sem nenhuma piedade, vai te poluir com todos os líquidos, contaminar teu sangue com todos os vírus. Cuidado comigo: eu sou a dama que mata, boy.'


E é exatamente assim que me sinto agora. Você acaba descobrindo o que pensam de você, da forma mais absurda possível.
Você acredita piamente na pessoa, em todos os sentidos. E depois descobre que no âmago da coisa toda, não é bem assim que funciona.
É que no final de tudo, o que realmente conta, jamais é o que você fez de bom. Isso nunca vai contar.
Conta sempre o que a pessoa deduz sobre alguma questão.
Uma forma covarde de, jogar antecipadamente qualquer frustração futura, em algo que ela julga que você 'não deseja'.
Como sorte em alguma coisa, seja lá o que for essa coisa.
Pessoas egocêntricas fazem isso.
Eu não consigo entender de imediato, porque não sei até hoje como lidar com decepção imediata.
Eu não sei ainda como colar cacos, quando eles acabaram de me cortar.
Eu não sei mais olhar a pessoa do mesmo modo, eu não sei mais sentir do mesmo modo, eu não sei mais respirar do mesmo modo, eu não sei mais como encaixar a pessoa em minha vida do mesmo modo.
E talvez não haja modo. nem conserto, nem alguma reparação.
É hora de deixar de lado, e encontrar o seu 'modo' de viver.

Quebra de sigilo

Nas voltas que o mundo dá, há pessoas que imaginam, pensam, que podem entrar dentro da outra e minuciar sentimentos e sensações.
Não vim ao mundo em busca de ser compreendida. Vim ao mundo para compreender. Pelo menos era o que eu esperava o que acontecesse, e até agora não aconteceu completamente.
Não sei o que se passa na cabeça de outrem, que acredita ter a imensa capacidade de julgar, prevenir, avisar, que o mesmo que lhe ocorreu, vire figurinha repetida na vida do outro, sendo que cada ser humano é único, e cada qual vive as experiências de vida ao seu modo, e aprende do seu jeito.
Ser influenciável é uma coisa. Ser burro é outro. Tomar experiências pessoais como exemplos, é idiotice.

Como dizia Gabito Nunes 'você não sabe o que carrego no peito'.