Para o ano novo nada pedi. Só fiz um trato com Deus. O que se decreta como depressão, melancolia, eu encaro como realidade. A morte.
Não é da vida que tenho medo não. Tenho medo da morte.
E não é da minha. Tenho medo de ser privada sem aviso prévio ( e geralmente é assim mesmo) ser privada da presença das pessoas que amo.
Muito dos meus dias eu vivo por elas. Elas talvez nem saibam, ou mesmo que eu fale, talvez nem acreditem.
Ela me disse: teu coração bate forte. Eu disse: como assim? Ela me disse: parece que está sempre pronto pra luta.
E sim, geralmente ele está.
Talvez eu seja um dos seres mais ranzinzas da face da terra. Mas prezo arduamente as pessoas que eu ouso falar que amo. E amo mesmo.
Fiz um trato com Deus por pura covardia. Não gosto de pensar em um plano B em como seria minha vida aqui, sem quem me é importante, vital. Eu simplesmente não suportaria ninguém indo embora.
Então, com toda covardia que me é de nascença nesse sentido pedi pra Deus que não levasse ninguém.
E que no dia que chegasse a hora, ele tivesse imensa bondade de me levar antes, porque ficar aqui sem os que eu amo, ai sim seria o verdadeiro inferno.
E eu pedi com tanta fé, e pedi com tanta vontade, e realmente pedi de coração, e pedi humildemente.
Ele sabe das minhas fraquezas. E ele sabe que eu não aguentaria ver ninguém indo embora.