terça-feira, 24 de agosto de 2010

A gente salva no blog

Eu sou a prosopopéia metafórica de um irônico paradoxo eufêmico.


"Dizem que tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficamos quietos, o que buscamos nos
encontrará. É algo que leva muito tempo esperando por nós. Enquanto não chegue, nada faças.
Descansa. Já tu verás o que acontece enquanto isto."

Clarissa Pinkola



"Sou o resultado desses amigos que tenho e do que recebo diariamente de afago, cuidado e demonstrações de afeto.
É disso que sou feita: de um bocado de tanto amor.
Sou resultado desses encontros, dessa magia que é meu cotidiano.
Gente que presta atenção naquilo que não conhece porque abraça a novidade com a sabedoria de quem nunca vai querer parar de aprender: da teoria intelectual mais complexa à maneira mais criativa de improvisar um cinzeiro.
Eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas.
E que, por conviver mais profundamente com as angústias, são os primeiros a experimentar o êxtase de um dia de sol ou de chuva, de qualquer coisa aparentemente simples.
Gente que sabe que viver com simplicidade é a coisa mais complexa que existe... e a mais sábia."

Marla de Queiroz

sábado, 21 de agosto de 2010

Uma questão de tempo

'Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;

Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.'

Eclesiastes 3:2-8


* E do tempo que eu preciso, só eu sei.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Pratique o desapego


'Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram. As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo - nada é insubstituível , um hábito não é uma necessidade. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.'

- Fernando Pessoa -

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Este é o ponto

This Is The Thing

I don't know if you noticed anything different
It's getting dark and it's getting cold and the nights are getting long
I don't know if you even noticed at all
That I'm long gone baby, I'm long gone

And the things that keep us apart keep me alive and
The things that keep me alive keep me alone

This is the thing

I don't know if you notice anything missing
Like the leaves on the trees or my clothes all over the floor
I don't know if you'll even notice at all
Coz I was real quiet when I closed the door

And the things that keep us apart keep me alive and
The things that keep me alive keep me alone

This is the thing

I don't know if you notice anything different
I don't know if you even notice at all
I don't know if you notice anything missing

This Is The Thing
This Is The Thing
This Is The Thing
This Is The Thing

Este é o ponto

Eu não sei se você notou algo de diferente
Está ficando escuro e está ficando frio e as noites estão ficando mais longas
Eu não sei se você reparou mesmo em tudo
Que eu estou muito longe baby, estou muito longe

E as coisas que nos afastam me mantem vivo e
As coisas que me mantêm vivo me mantem sozinho

Este é o ponto

Eu não sei se você percebeu alguma coisa faltando
Tal como as folhas das árvores ou minhas roupas por todo o chão
Eu não sei se você vai mesmo perceber tudo isso
Porque eu estava realmente quieto quando eu fechei a porta

E as coisas que nos afastam me mantem vivo e
As coisas que me mantêm vivo me mantem sozinho

Este é o ponto

Eu não sei se você percebeu alguma coisa diferente
Eu não sei se você percebeu tudo isso
Eu não sei se você percebeu alguma coisa faltando

Este é o ponto
Este é o ponto
Este é o ponto
Este é o ponto





(Tarde demais pra perceber que existe algo 'faltando'.)

domingo, 15 de agosto de 2010

Acendemos o fogo ao terceiro grau

Set The Fire To The Third Bar

I find the map and draw a straight line
Over rivers, farms, and state lines
The distance from here to where you'd be
It's only finger-lengths that I see
I touch the place where I'd find your face
My fingers in creases of distant dark places.

I hang my coat up in the first bar
There is no peace that I've found so far
The laughter penetrates my silence
As drunken men find flaws in science.
Their words mostly noises
Ghosts with just voices
Your words in my memory
Are like music to me.

I'm miles from where you are,
I lay down on the cold ground
I, I pray that something picks me up
And sets me down in your warm arms.

After I have travelled so far
We'd set the fire to the third bar
We'd share each other like an island
Until exhausted, close our eyelids
And dreaming, pick up from
The last place we left off
Your soft skin is weeping
A joy you can't keep in.
I'm miles from where you are,
I lay down on the cold ground
And I, I pray that something picks me up
and sets me down in your warm arms.

And miles from where you are,
I lay down on the cold ground
and I, I pray that something picks me up
and sets me down in your warm arms.

Acendemos o Fogo ao terceiro grau

Eu encontro o mapa e desenho uma linha reta
Sobre rios, fazendas e divisões de estados
A distância daqui para onde você estaria
É apenas a do comprimento de dedos que eu vejo
Eu toco o local onde eu encontraria o seu rosto
Meus dedos nos vincos de lugares distantes e escuros.

Eu penduro meu casaco na primeira barra
Não há paz que eu tenha encontrado até agora
A risada penetra o meu silêncio
Enquanto homens bêbados encontram falhas na ciência.

As suas palavras, na maioria barulhos
Fantasmas com apenas vozes
Suas palavras na minha memória
São como música para mim.

Eu estou a milhas de onde você está
Eu me deito no chão frio
Eu, eu rezo para que algo me levante
E me coloque nos seus braços calorosos.

Depois de eu ter viajado tão longe
Nós acendemos o fogo ao terceiro grau
Nós nos compartilhamos como uma ilha
Até que exaustos, fechemos nossos olhos
E sonhando, continuamos desde
O último lugar em que paramos.
A sua pele macia está derramando
Uma alegria que você não consegue manter dentro de si.

Eu estou a milhas de onde você está
Eu me deito no chão frio
Eu, eu rezo para que algo me levante
E me coloque nos seus braços calorosos.

Eu estou a milhas de onde você está
Eu me deito no chão frio
Eu, eu rezo para que algo me levante.
E me coloque nos seus braços calorosos.

(Snow Patrol)

sábado, 14 de agosto de 2010

Até ele voltar...

Até ele voltar...
Prometo me 'reapaixonar' por todos os momentos em que estivemos juntos.
Prometo reviver em minha mente todos os seus traços, sorrisos, gestos.
Prometo relembrar da sua voz, seu som malicioso, sua melodia.
Prometo fechar os olhos e permitir a lembrança do seu cheiro.
Prometo ter a lembrança do 'ano novo',
como a melhor lembrança de 'ano novo' para o resto da minha vida.
Prometo silenciar, e escutar só as batidas do meu coração,
que por ele, sempre foram as mais sinceras, quentes e intensas que eu poderia ter.
Prometo descobrir a cada dia um motivo diferente para acreditar que pode haver um reencontro,
e que esse valerá a pena.
Até ele voltar...
Prometo VIVER.
Prometo SONHAR.
Prometo cultivar a PACIÊNCIA.
Rir das situações que me causam felicidade,
cuidar do corpo, do espírito,
fazer planos, imaginar situações,
acreditar que Deus existe e que pode
me auxiliar nas escolhas.
Porque a minha escolha, antes mesmo dele voltar, é ele.
Será sempre ele.




'... And there are things that keep me alive, keep me alone. This is the thing.'
(This is the thing - Fink)




domingo, 8 de agosto de 2010

Agosto, mês do des-gosto

"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé."
Caio Fernando Abreu

Então que os meses frios, o inverno sempre foram responsáveis por coisas boas que me aconteceram. E outras... Nem tanto assim. O que me lembro de alguns julhos, agostos da minha vida eram minhas férias escolares e a possibilidade de ir pra casa da minha avó. Acreditem, esperava as férias de julho, mais que o próprio natal.
Depois quando vieram, não eram tão prazerosos assim. Sempre vinham com gosto de situações novas, eu apostava minhas fichas... E perdia.
Parei de sentir prazer nesses meses. Praticamente em tudo, mesmo gostando tanto do outono e inverno.
Eu estava silenciosa no meu canto. Extremamente silenciosa, obscuradamente silenciosa no meu canto. E lá que me vem depois de 95 dias notícias.
Não esperava mais. Depois de um tempo aprende-se a lidar com a ausência. Ela se torna ardentemente presente, e tão verdadeira que não se espera mais nada.
Longas desculpas, longos lamentos, longas palavras não ditas e ainda trancadas na garganta, que são engolidas todos os dias e ensaiadas em textos mentais praticamente todas as noites.
O bom disso tudo é o aprender a 'des-gostar'. A aprender a enfrentrar os meses de agosto da vida. E em tudo que ele sempre trás, porque já encaro praticamente como uma maldição.
Novamente não vem pra ficar. Tenho dúvidas se um dia ficará. E fico pensando se, ainda sou capaz de permitir que participe de mais um agosto.