terça-feira, 18 de maio de 2010

M O R T E E C H O C O L A T E

M O R T E E C H O C O L A T E

Primeiro, as cores.
Depois, os humanos.
Em geral, é assim que vejo as coisas.
Ou, pelo menos, é o que tento.

E I S U M P E Q U E N O F A T O

Você vai morrer.

Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem os meus protestos.
Por favor, confie em mim.
Decididamente eu sei ser animada, sei ser amável.
Sei ser agradável.
Afável.
E esses são apenas os As.
Só não me peça para ser simpática.
Simpatia não tem nada a ver comigo.


R E A Ç Ã O A O F A T O S U P R A C I T A D O

Isso preocupa você?
Insisto - não tenha medo.
Sou tudo, menos injusta.

- É claro, uma apresentação.
Um começo.
Onde estão meus bons modos?
Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas, na verdade, isso não é necessário.
Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependendo de uma gama diversificada de variáveis.
Basta dizer que, em algum ponto eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possível.
Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro.
E levarei você embora gentilmente. (...)

O único som que ouvirei depois disso será minha própria respiração, além do som do cheiro dos meus passos.

U M A N Ú N C I O T R A N Q U I L I Z A D O R

Por favor, mantenha a calma, apesar da ameaça anterior.

Sou só garganta...
Não sou violenta.
Não sou maldosa.
Sou um resultado.

(...) Se quiser, venha comigo. Vou lhe contar uma história. Vou lhe mostrar uma coisa.

( A menina que roubava livros )

domingo, 9 de maio de 2010

A morte não é nada

As pessoas reclamam de tantas coisas, uns julgam a vida injusta, outros acham a vida maravilhosa, outros vivem amargurados, outros reclamam o tempo todo. Mas a verdade disso tudo é que a vida é frágil. E efêmera. E passa rápido. E que criamos problemas onde não existem. Independente de crenças, Deus ou qualquer coisa do gênero, o fato real é que por mais que você esteja preparada espiritualmente, perder alguém próximo é sempre difícil. Hoje, 9 de maio de 2010 é dia das mães. E penso no coração de uma mãe que perdeu seu filho essa madrugada. De forma, não acho outro adjetivo melhor do que a palavra "besta".
Menino de 22 anos. Thiago Alves da Cruz. Cheio de vida. Como tantos outros de sua idade. Vicíos? Nenhum. Na madrugada passada, voltando para casa, cai de moto. Ambos. O amigo fica todo ralado e é socorrido pelo Siate. Thiago, machuca só o queixo. Pronto, só um susto. O amigo, encaminhado para o hospital, Thiago pergunta ao enfermeiro pra qual hospital será levado o amigo e fala que vai seguir a ambulância com a moto. Ok. Acaba indo parar em outro hospital. Errado. Hospital errado. Seguindo pela Avenida Paraná, perde a direção da moto por causa de um buraco. Capacete escapa da cabeça. Thiago bate a cabeça no meio fio. Agoniza. E morre. Pronto. Não era mais um susto. Era real. Recebi a notícia no meio do almoço do dia das mães. Sensação estranha. Na hora vem a famosa frase, um dito popular: pra morrer basta estar vivo. Tristeza para quem fica. E sofre. Sofre a ausência. A falta da presença física, da voz, do riso, do cheiro. De um filho. Independente dos amigos, penso nessas horas na mãe. Na ordem das coisas, um filho jamais deveria partir antes de um dos pais.
Todos os dias Deus nos concede o milagre da vida, e da existência. A pergunta é: o que estamos fazendo, enquanto ainda estamos aqui?
A vida passa rápida demais. E hoje aprendi o verdadeiro significado de quando me diziam: a vida é para ser vivida. Hoje entendo o verdadeiro sentido dessa frase.
Para todos que creem que a vida não acaba aqui, nessa matéria emprestada que chamamos de corpo, fica as sábias palavras de Santo Agostinho:

A morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.

Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.

Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome se pronuncie em casa
como sempre se pronunciou.

Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.

A vida continua significando o que significou:
continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.
Porque eu estaria for a de teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista ?

Não estou longe,
Somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem.
Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca tuas lágrimas e se me amas,
não chores mais
.

Thiago, que em sua nova caminhada ao lado do Criador, que você esteja em paz, encontre a paz, receba as nossas orações. Porque você realmente não morreu. Só está do outro lado do caminho.


Thiago Alves Cruz

1988 - 2010